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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Patrulha purista vocabular

Acabei de enviar um email com o texto abaixo para a Presidência da República.
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O parágrafo único do artigo 2oA da lei 8.560/1992 acrescentado pela lei 12.004/2009 não tem sentido.

"Art. 2o-A. Na ação de investigação de paternidade, todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, serão hábeis para provar a verdade dos fatos.

Parágrafo único. A recusa do réu em se submeter ao exame de código genético - DNA gerará a presunção da paternidade, a ser apreciada em conjunto com o contexto probatório."

Isso porque "código genético" significa outra coisa. O exame de DNA examina o *material* genético e não o *código*. O *código genético* é *idêntico* em todos os humanos, de fato, é idêntico até à maioria das bactérias: fato que permite a técnica da transgenia.

Cordialmente,

Roberto Takata

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Pode parecer bobagem, mas seguindo à risca a letra da lei, os supostos pais podem se recusar a fazer o exame genético de paternidade sem nenhum prejuízo. Eles não poderiam apenas deixar de fazer um exame de seu código genético, mas um exame desses é inútil para determinação de paternidade.

Um juiz razoável pode evitar essa armadilha - certamente advogados mal intencionados tentarão usar essa falha a favor de seus clientes -, mas sabemos que existe um número muito maior de juízes despreparados do que seria o aceitável.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Mala influenza - 11

Talvez não seja tão letal quanto o vírus da gripe comum, mas o vírus da desinformação enche o saco. Comento abaixo um email apócrifo que tem circulado com perguntas e pretensas respostas sobre a nova gripe. É de um tipo particularmente nocivo ao misturar informações corretas com erradas (e algumas até perigosas, ao sugerir que a pessoa fica imune do novo vírus depois de ter a doença - esquecendo-se de mutações nos vírus da influenza que tornam a gripe comum uma doença recorrente).

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1.- Quanto tempo dura vivo o vírus suíno numa maçaneta ou superfície lisa?
Até 10 horas.

Correto.

O CDC informa que é viável entre 2 a 8 horas.
"How long can influenza virus remain viable on objects (such as books and doorknobs)?
Studies have shown that influenza virus can survive on environmental surfaces and can infect a person for up to 2-8 hours after being deposited on the surface."
http://www.cdc.gov/h1n1flu/qa.htm

2. - Quão útil é o álcool em gel para limpar-se as mãos?
Torna o vírus inativo e o mata.

Correto.
"What kills influenza virus?
Influenza virus is destroyed by heat (167-212°F [75-100°C]). In addition, several chemical germicides, including chlorine, hydrogen peroxide, detergents (soap), iodophors (iodine-based antiseptics), and alcohols are effective against human influenza viruses if used in proper concentration for a sufficient length of time. For example, wipes or gels with alcohol in them can be used to clean hands. The gels should be rubbed into hands until they are dry."
http://www.cdc.gov/h1n1flu/qa.htm

3.- Qual é a forma de contágio mais eficiente deste vírus?
A via aérea não é a mais efetiva para a transmissão do vírus, o fator mais importante para que se instale o vírus é a umidade, (mucosa do nariz, boca e olhos) o vírus não voa e não alcança mais de um metro de distancia.

Incorreto.
O vírus pode ficar nas gotículas de espirro em suspensão no ar, pode atingir mais de 2 metros (embora normalmente menos).

"At present, evidence suggests that the main route of human-to-human transmission of the new Influenza A (H1N1) virus is via respiratory droplets, which are expelled by speaking, sneezing or coughing."
http://www.who.int/csr/resources/publications/Adviceusemaskscommunityrevised.pdf

"Transmission of novel influenza A (H1N1) is being studied as part of the ongoing outbreak investigation, but limited data available indicate that this virus is transmitted in ways similar to other influenza viruses. Seasonal human influenza viruses are thought to spread from person to person primarily through large-particle respiratory droplet transmission (e.g., when an infected person coughs or sneezes near a susceptible person). Transmission via large-particle droplets requires close contact between source and recipient persons because droplets do not remain suspended in the air and generally travel only a short distance (<6 feet). Contact with contaminated surfaces is another possible source of transmission and transmission via droplet nuclei (also called"airborne" transmission). Because data on the transmission of novel H1N1 viruses are limited, the potential for ocular, conjunctival, or gastrointestinal infection is unknown. Since this is a novel influenza A virus in humans, transmission from infected persons to close contacts might be common. All respiratory secretions and bodily fluids (diarrheal stool) of novel influenza A (H1N1) cases should be considered potentially infectious."
http://www.cdc.gov/h1n1flu/identifyingpatients.htm

4.- É fácil contagiar-se em aviões?
Não, é um meio pouco propício para ser contagiado.

Incorreto.
É um meio fechado e com aglomeração de pessoas. Se houver pessoa doente pode infectar outras.

5.- Como posso evitar contagiar-me?
Não passar as mãos no rosto, olhos, nariz e boca. Não estar com gente doente. Lavar as mãos mais de 10 vezes por dia.

Correto (parcialmente).
As medidas são boas, mas não é o número de vezes que se lava as mãos que conta.
É importante lavar as mãos sempre que tocar em objetos que podem estar contaminados e antes das refeições ou outra oportunidade em que elas possam tocar as mucosas.
"10. Como eu posso me prevenir da doença?
Alguns cuidados básicos de higiene podem ser tomados, como: lavar bem as mãos frequentemente com água e sabão, evitar tocar os olhos, boca e nariz após contato com superfícies, não compartilhar objetos de uso pessoal e cobrir a boca e o nariz com lenço descartável ao tossir ou espirrar."
http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/visualizar_texto.cfm?idtxt=\
31267


"Take these everyday steps to protect your health:

* Cover your nose and mouth with a tissue when you cough or sneeze. Throw the tissue in the trash after you use it.
* Wash your hands often with soap and water, especially after you cough or sneeze. Alcohol-based hand cleaners are also effective.
* Avoid touching your eyes, nose or mouth. Germs spread this way.
* Try to avoid close contact with sick people.
* Stay home if you are sick for 7 days after your symptoms begin or until you have been symptom-free for 24 hours, whichever is longer. This is to keep from infecting others and spreading the virus further.

Other important actions that you can take are:

* Follow public health advice regarding school closures, avoiding crowds and other social distancing measures.
* Be prepared in case you get sick and need to stay home for a week or so; a supply of over-the-counter medicines, alcohol-based hand rubs, tissues and other related items might could be useful and help avoid the need to make trips out in public while you are sick and contagious."
http://www.cdc.gov/h1n1flu/qa.htm

6.- Qual é o período de incubação do vírus?

Em média de 5 a 7 dias e os sintomas aparecem quase imediatamente.

Errado.
O período mais comum é de 1 a 4 dias de incubação.
"The estimated incubation period is unknown and could range from 1-7 days, and more likely 1-4 days."
http://www.cdc.gov/h1n1flu/identifyingpatients.htm

7.- Quando se deve começar a tomar o remédio?
Dentro das 72 horas os prognósticos são muito bons, a melhora é de 100%

Errado.
Quem deve receitar o medicamento é um médico.
Há linhagens resistentes ao oseltamivir (Tamiflu).
http://www.who.int/csr/disease/influenza/H1N1webupdate20090318%20ed_ns.pdf

8.- De que forma o vírus entra no corpo?
Por contato ao dar a mão ou beijar-se no rosto e pelo nariz, boca e olhos.

Errado.
O vírus entra no corpo pelo contato das mucosas com material contaminado.
"How does novel H1N1 virus spread?
Spread of novel H1N1 virus is thought to be happening in the same way that seasonal flu spreads. Flu viruses are spread mainly from person to person through coughing or sneezing by people with influenza. Sometimes people may become infected by touching something with flu viruses on it and then touching their mouth or nose."
http://www.cdc.gov/h1n1flu/qa.htm

9.- O vírus é mortal?
Não, o que ocasiona a morte é a complicação da doença causada pelo vírus, que é a pneumonia.

Errado.
É o mesmo que dizer que um tiro não é mortal. O que mata é o choque hipovolêmico ocasionado pela perda de sangue decorrente da ferida a bala.

10.- Que riscos têm os familiares de pessoas que faleceram?
Podem ser portadores e formar uma rede de transmissão.

Correto em parte.
Podem não apenas ser portadores como também podem adoecer.

11.- A água de tanques ou caixas de água transmite o vírus?
Não porque contém químicos e está clorada

Correto.
"Is there a risk from drinking water?
Tap water that has been treated by conventional disinfection processes does not likely pose a risk for transmission of influenza viruses. Current drinking water treatment regulations provide a high degree of protection from viruses. No research has been completed on the susceptibility of novel H1N1 flu virus to conventional drinking water treatment processes. However, recent studies have demonstrated that free chlorine levels typically used in drinking water treatment are adequate to inactivate highly pathogenic H5N1 avian influenza. It is likely that other influenza viruses such as novel H1N1 would also be similarly inactivated by chlorination. To date, there have been no documented human cases of influenza caused by exposure to influenza-contaminated drinking water."
http://www.cdc.gov/h1n1flu/qa.htm

12.- O que faz o vírus quando provoca a morte?
Uma série de reações como deficiência respiratória, a pneumonia severa é o que ocasiona a morte.

Correto (parcialmente).
Pode causar mais do que isso.
"There is insufficient information to date about clinical complications of this novel influenza A (H1N1) virus infection. Among persons infected with previous variants of swine influenza viruses, clinical syndromes have ranged from mild respiratory illness, to lower respiratory tract illness, dehydration, or pneumonia. Deaths caused by previous variants of swine influenza viruses have occasionally occurred. Although data on the spectrum of illness is not yet available for this novel influenza A (H1N1), clinicians should expect complications to be similar to seasonal influenza: exacerbation of underlying chronic medical conditions, upper respiratory tract disease (sinusitis, otitis media, croup) lower respiratory tract disease (pneumonia, bronchiolitis, status asthmaticus), cardiac (myocarditis, pericarditis), musculoskeletal (myositis, rhabdomyolysis), neurologic (acute and post-infectious encephalopathy, encephalitis, febrile seizures, status epilepticus), toxic shock syndrome, and secondary bacterial pneumonia with or without sepsis."
http://www.cdc.gov/h1n1flu/identifyingpatients.htm

13.- Quando se inicia o contagio, antes dos sintomas ou até que se apresentem?
Desde que se tem o vírus, antes dos sintomas.

Errado.
Não se sabe. Mas por precaução é melhor adotar como se fosse correto.
"The duration of shedding with novel influenza A (h1N1) virus is unknown. Therefore, until data are available, the estimated duration of viral shedding is based upon seasonal influenza virus infection.. Infected persons are assumed to be shedding virus from one day prior to illness onset until resolution of symptoms. In general, persons with novel influenza A (H1N1) virus infection should be considered potentially infectious from one day before to 7 days following illness onset. Children, especially younger children, might be infectious for up to 10 days."
http://www.cdc.gov/h1n1flu/identifyingpatients.htm

14.- Qual é a probabilidade de recair com a mesma doença?
De 0%, porque fica-se imune ao vírus suíno.

Errado.
Cepas mutantes podem causar novamente a doença. Do mesmo modo como uma pessoa pode pegar gripe comum várias vezes.

15.- Onde encontra-se o vírus no ambiente?

Quando uma pessoa portadora espirra ou tosse, o virus pode ficar nas superfícies lisas como maçanetas, dinheiro, papel, documentos, sempre que houver umidade. Já que não será esterilizado o ambiente se recomenda extremar a higiene das mãos.

Correto, parcialmente.
A superfície não precisa ser lisa.

17.- O vírus ataca mais às pessoas asmáticas?
Sim, são pacientes mais suscetíveis, mas ao tratar-se de um novo germe todos somos igualmente suscetíveis.

Errado.
Embora pessoas asmáticas sejam uma das mais susceptíveis a complicações, não são apenas elas. Mas está correto ao assumir o princípio da precaução e considerar que somos todos susceptíveis.
"Currently, insufficient data are available to determine who is at higher risk for complications of novel influenza A (H1N1) virus infection. Thus, at this time, the same age and risk groups who are at higher risk for seasonal influenza complications should also be considered at higher risk for swine-origin influenza complications.

Groups at higher risk for seasonal influenza complications include:

* Children less than 5 years old;
* Persons aged 65 years or older;
* Children and adolescents (less than 18 years) who are receiving long-term aspirin therapy and who might be at risk for experiencing Reye syndrome after influenza virus infection;
* Pregnant women;
* Adults and children who have chronic pulmonary, cardiovascular, hepatic, hematological, neurologic, neuromuscular, or metabolic disorders;
* Adults and children who have immunosuppression (including immunosuppression caused by medications or by HIV);
* Residents of nursing homes and other chronic-care facilities."
http://www.cdc.gov/h1n1flu/identifyingpatients.htm

18.- Qual é a população que está atacando este vírus?
De 20 a 50 anos de idade.

Correto, para o Brasil até o momento. Considerando se como a faixa etária mais atingida.
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/boletim_epidemiologico_influenza_\
23_07_2009.pdf


19.- É útil a máscara para cobrir a boca?
Existem alguns de maior qualidade que outros, mas se você não está doente é pior, porque os vírus pelo seu tamanho o atravessam como se este não existisse e ao usar a máscara, cria-se na zona entre o nariz e a boca um microclima úmido próprio ao desenvolvimento viral: mas se você já está infectado use-o para não infectar aos demais, apesar de que é relativamente eficaz.

Incorreto.
Mas é preciso usar a máscara corretamente.
"Nonetheless, many individuals may wish to wear masks in the home or community setting, particularly if they are in close contact with a person with influenza-like symptoms, for example while providing care to family members. Furthermore, using a mask can enable an individual with influenza-like symptoms to cover their mouth and nose to help contain respiratory droplets, a measure that is part of cough etiquette.
Using a mask incorrectly however, may actually increase the risk of transmission, rather than reduce it. If masks are to be used, this measure should be combined with other general measures to help prevent the human-to-human transmission of influenza, training on the correct use of masks and consideration of cultural and personal values."
http://www.who.int/csr/resources/publications/Adviceusemaskscommunityrevised.pdf

20.- Posso fazer exercício ao ar livre?
Sim, o vírus não anda no ar nem tem asas.

Correto (parcialmente).
Desde que não seja em meio a uma aglomeração com pessoas contaminadas.

21.- Serve para algo tomar Vitamina C?
Não serve para nada para prevenir o contagio deste vírus, mas ajuda a resistir seu ataque.

Incorreto.
Realmente não serve para prevenir o contágio. Mas não há nenhuma indicação mais forte na literatura de que ajude a resistir à doença.

(Há para gripe. E.g.: Hemilä 1996.)

22.- Quem está a salvo desta doença ou quem é menos suscetível?
A salvo não esta ninguém, o que ajuda é a higiene dentro de lar, escritórios, utensílios e não ir a lugares públicos.

Correto.

23.- O virus se move?
Não, o vírus não tem nem patas nem asas, a pessoa é quem o coloca dentro do organismo.

Correto (parcialmente).
(Não é preciso ter patas e asas para se mover, mas o vírus não tem meios próprios de locomoção. De todo modo ele se espalha a despeito da vontade da pessoa.)

24.- Os mascotes contagiam o vírus?
Este vírus não, provavelmente contagiem outro tipo de vírus.

Correto (parcialmente).
Descontando o português (quem contagia é o vírus e não o organismo que contagia o vírus), não há casos documentados de transmissão de animais para humanos. Embora haja casos de porcos contaminados com o A(H1N1) - provavelmente no início da pandemia, humanos foram contaminados por vírus provenientes dos porcos (felizmente poucas pessoas têm porcos como mascotes).

25.- Se vou ao velório de alguém que morreu desse vírus posso me contagiar?
Não.

Errado.
Os familiares presentes podem ter se contaminado anteriormente.

26.- Qual é o risco das mulheres grávidas com este vírus?
As mulheres grávidas têm o mesmo risco mas por dois, podem tomar os antivirais mas em caso de de contagio e com estrito controle médico.

Errado.
Embora ela tenha riscos por dois (considerando-se o feto um ser humano), grávidas são consideradas de grupo de risco (pelo histórico da gripe comum, não há informações suficientes para a nova gripe).
"How severe is illness associated with novel H1N1 flu virus?
It's not known at this time how severe novel H1N1 flu virus will be in the general population. In seasonal flu, there are certain people that are at higher risk of serious flu-related complications. This includes people 65 years and older, children younger than five years old, pregnant women, and people of any age with certain chronic medical conditions. Early indications are that pregnancy and other previously recognized medical conditions that increase the risk of influenza-related complications, like asthma and diabetes, also appear to be associated with increased risk of complications from novel H1N1 virus infection as well.

One thing that appears to be different from seasonal influenza is that adults older than 64 years do not yet appear to be at increased risk of novel H1N1-related complications thus far in the outbreak. CDC is conducting laboratory studies to see if certain people might have natural immunity to this virus, depending on their age. Early reports indicate that no children and few
adults younger than 60 years old have existing antibody to novel H1N1 flu virus; however, about one-third of adults older than 60 may have antibodies against this virus. It is unknown how much, if any, protection may be afforded against novel H1N1 flu by any existing antibody."
http://www.cdc.gov/h1n1flu/qa.htm

27.- O feto pode ter lesões se uma mulher grávida se contagia com este vírus?
Não sabemos que estragos possa fazer no processo, já que é um vírus novo.

Correto.
Não se sabe. Embora a hipertermia ocasionada pela febre seja um risco ao feto.
"Maternal fever during labor has been shown to be a risk factor for adverse neonatal and developmental outcomes, including neonatal seizures, encephalopathy, cerebral palsy, and neonatal death. Even though distinguishing the effects of the cause of fever from the hyperthermia itself is difficult, fever in pregnant women should be treated because of the risk that hyperthermia appears to pose to the fetus."
http://www.guideline.gov/summary/summary.aspx?doc_id=14649&nbr=7261&ss=6&xl=999

28.- Posso tomar acido acetilsalicílico (aspirina)?
Não é recomendável, pode ocasionar outras doenças, a menos que você tenha prescrição por problemas coronários, nesse caso siga tomado.

Correto, parcialmente.
A restrição é para jovens de menos de 18 anos.
"Special Considerations for Children
Aspirin or aspirin-containing products (e.g. bismuth subsalicylate – Pepto Bismol) should not be administered to any confirmed or suspected ill case of novel influenza H1N1 virus infection aged 18 years old and younger due to the risk of Reye syndrome. For relief of fever, other anti-pyretic medications such as acetaminophen or non- steroidal anti-inflammatory drugs are recommended.

Children younger than 4 years of age should not be given over-the-counter cold medications without first speaking with a healthcare provider."
http://www.cdc.gov/h1n1flu/recommendations.htm

29.- Serve para algo tomar antivirales antes dos síntomas?
Não serve para nada.

Errado.
Mas a prescrição do medicamento deve ser feita por um médico.
"For antiviral chemoprophylaxis of novel (H1N1) influenza virus infection, either oseltamivir or zanamivir are recommended (Table 1). Duration of antiviral chemoprophylaxis post-exposure is 10 days after the last known exposure to novel (H1N1) influenza. The indication for post-exposure chemoprophylaxis is based upon close contact with a person who is a confirmed, probable or suspected case of novel influenza A (H1N1) virus infection during the infectious period of the case. The infectious period for persons infected with the novel influenza A (H1N1) virus is assumed to be similar to that observed in studies of seasonal influenza. With seasonal influenza, studies have shown that people may be able to transmit infection beginning one day before they develop symptoms to up to 7 days after they get sick. Children, especially younger children, might potentially be infectious for longer periods. However, for this guidance, the infectious period is defined as one day before until 7 days after the case’s onset of illness. If the contact occurred with a case whose illness started more than 7 days before contact with the person under consideration for antivirals, then chemoprophylaxis is not necessary. For pre-exposure chemoprophylaxis, antiviral medications should be given during the potential exposure period and continued for 10 days after the last known exposure to a person with novel (H1N1) influenza virus infection during the cases infectious period. Oseltamivir can also be used for chemoprophylaxis under the EUA for children less than 1 year of age (see Children Under 1 Year of Age)."
http://www.cdc.gov/h1n1flu/recommendations.htm

30.- As pessoas com AIDS, diabetes, câncer, etc., podem ter maiores complicações que uma pessoa sadia se contagiam com o vírus?
SIM.

Correto.
Ao menos baseando-se na gripe comum.
"People age 65 years and older, people of any age with chronic medical conditions (such as asthma, diabetes, or heart disease), pregnant women, and young children are more likely to get complications from influenza. Pneumonia, bronchitis, and sinus and ear infections are three examples of complications from flu. The flu can make chronic health problems worse. For example, people with asthma may experience asthma attacks while they have the flu, and people with chronic congestive heart failure may have worsening of this condition that is triggered by the flu."
http://www.cdc.gov/flu/about/disease/symptoms.htm

31.-Uma gripe convencional forte pode se converter em influenza?
NAO.

Correto.
Se considerarmos aqui a nova influenza. A gripe comum é um tipo de influenza - influenza e gripe são sinônimos.

32.- O que mata o vírus?
O sol, mais de 5 dias no meio ambiente, o sabão, os antivirais, álcool em gel.

Correto.
Isso considerando-se o vírus no ambiente. Altas temperaturas e alguns produtos químicos antissépticos também inativam o vírus.
"What kills influenza virus?
Influenza virus is destroyed by heat (167-212°F [75-100°C]). In addition, several chemical germicides, including chlorine, hydrogen peroxide, detergents (soap), iodophors (iodine-based antiseptics), and alcohols are effective against human influenza viruses if used in proper concentration for a sufficient length of time. For example, wipes or gels with alcohol in them can be used to clean hands. The gels should be rubbed into hands until they are dry."
http://www.cdc.gov/h1n1flu/qa.htm

33.- O que fazem nos hospitais para evitar contágios a outros doentes que não têm o vírus?
O isolamento.

Correto.
Além de tratar os pacientes.

34.- O álcool em gel é efetivo?
SIM, muito efetivo.

Correto.
"Wash your hands often with soap and water, especially after you cough or sneeze. Alcohol-based hand cleaners are also effective."
http://www.cdc.gov/h1n1flu/qa.htm

35.- Se estou vacinado contra a influenza estacional sou inócuo a este vírus?
Não serve para nada, ainda não existe vacina para este vírus.

Correto.
"Annual influenza vaccination is expected to provide the best protection against those virus strains that are related to the vaccine strains, but limited to no protection may be expected when the vaccine and circulating virus strains are so different as to be from different lineages, as is seen with the two lineages of influenza B viruses. Antigenic characterization of novel influenza A (H1N1) viruses indicates that these viruses are antigenically and genetically unrelated to seasonal influenza A (H1N1) viruses, suggesting that little to no protection would be expected from vaccination with seasonal influenza vaccine."
http://www.cdc.gov/flu/weekly/

36.- Este vírus está sob controle?
Não totalmente, mas estão tomando medidas agressivas de contenção.

Correto (parcialmente).
Há medidas mais agressivas (como fechamentos de fronteiras ou restrições de viagens).

37.- O que significa passar de alerta 4 a alerta 5?
A fase 4 não faz as coisas diferentes da fase 5, significa que o vírus se propagou de Pessoa a Pessoa em mais de 2 países; e fase 6 é que se propagou em mais de 3 países.

Incorreto.
Verdade que as fases são definidas em função do espalhamento geográfico e não da severidade, mas a definição não está totalmente correta.

A fase 4 se refere a uma transmissão sustentada de pessoa para pessoa em uma comunidade. A fase 5 envolve sim pelo menos dois países, mas de uma mesma região da OMS. A fase 6 envolve sim pelo menos três países, mas de pelo menos duas regiões da OMS.
http://www.who.int/entity/csr/disease/influenza/GIPA3AideMemoire.pdf

38.- Aquele que se infectou deste vírus e se curou, fica imune?
SIM.

Incorreto.
O vírus pode sofrer mutações e escapar do sistema imune de alguém que já foi contaminado por outra cepa.

39.- As crianças com tosse e gripe têm influenza?
É pouco provável, pois as crianças são pouco afetadas.

Quem deve diagnosticar é um médico.

40.- Medidas que as pessoas que trabalham devam tomar?
Lavar-se as mãos muitas vezes ao dia.

Correto, parcialmente.
As demais recomendações básicas também se aplicam.

41.- Posso me contagiar ao ar livre?
Se há pessoas infectadas e que tosam e/ou espirre perto pode acontecer, mas a via aérea é um meio de pouco contágio.

Errado.
Sim, tosse e espirros podem contaminar e isso se dá por via aérea.

42.- Pode-se comer carne de porco?
SIM pode e não há nenhum risco de contágio.

Correto.
"Can I get infected with novel H1N1 virus from eating or preparing pork?
No. Novel H1N1 viruses are not spread by food. You cannot get infected with novel HIN1 virus from eating pork or pork products. Eating properly handled and cooked pork products is safe."
http://www.cdc.gov/h1n1flu/qa.htm

43.- Qual é o fator determinante para saber que o vírus já está controlado?
Ainda que se controle a epidemia agora, no inverno boreal (hemisfério norte) pode voltar e ainda não haverá uma vacina.

Errado.
Sim, pode voltar. Mas poderá já haver vacina.
"How quickly will pandemic influenza A (H1N1) vaccines be available for use?
The very first doses of influenza A (H1N1) vaccine usable to immunize people, from one or more manufacturers, are expected as early as September 2009."
http://www.who.int/csr/disease/swineflu/frequently_asked_questions/vaccine_preparedness/production_availability/en/index.html

FAVOR REENVIAR AOS SEUS CONTATOS

ERRADO!!!!!!!!!!!
NUNCA REENVIE NENHUMA MENSAGEM A SEUS CONTATOS DENTRE AS QUE PEDEM PARA SER REENVIADA.

Mesmo as que parecem bem intencionadas. Em uma corrente, como no telefone sem fio, sempre há alguma coisa que se altera no meio do caminho - pode ser um espírito de porco (bem apropriado para a gripe suína), pode ser um erro involuntário. Essa alteração pode ser grave.

Procure informações sempre em fontes confiáveis. (Desconfie até das informações dadas por este blogue. Eu mesmo evito dar pitacos sobre a nova gripe, ainda que faça aqui o acompanhamento da evolução do número de casos e de óbitos, não sou especialista. Se receberem o mesmo spam aqui respondido e forem contra-argumentar, não indiquem esta postagem, usem as referências aqui citadas: OMS, MS, CDC... Procurei colar os trechos significativos, mas posso inadvertidamente ter interpretado erroneamente ou ter tirado do contexto devido.)

No slogans?

Via SemCiênciaSemciência* tomei conhecimento da reportagem de Fábio de Castro da Agência Fapesp sobre um estudo a respeito de especiação sem seleção natural e sem barreiras geográficas.

*Upideite (02/out/2009): correção a esta data. Vide aqui.

"Trabalhando com simulações em modelos matemáticos, um grupo de pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos acaba de propor um mecanismo de formação de novas espécies biológicas que não envolve barreiras físicas ou isolamento geográfico. O estudo foi publicado na edição desta quinta-feira (16/7) da revista Nature."

"Segundo ele [Marcus Aloizio Martinez de Aguiar, do Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp, primeiro autor do estudo], a principal contribuição do novo estudo é ter sugerido um mecanismo de especiação que prescinde das barreiras espaciais e da seleção natural, mas cujos resultados são compatíveis com os padrões de abundância de espécies observadas na natureza."

Na verdade o estudo não propõe um mecanismo, ele testa um mecanismo já proposto - a novidade é que eles demonstram a viabilidade para organismos com reprodução sexual por meio de simulação em computador. O mecanismo é de isolamento por distância, estudado teoricamente desde os anos de 1940 (vide, por exemplo, [1] e [2]).

"'O número de espécies existentes atualmente é muito grande – cerca de 100 milhões –, o que indica que a especiação é a regra e não uma exceção. Portanto, os mecanismos de especiação devem ser muito simples, embora sua compreensão não seja trivial. Um deles, sem dúvida, é o processo de isolamento geográfico, mas é improvável que seja o único. Nosso estudo aponta para a existência de um mecanismo diferente, em consonância com as observações experimentais', disse Aguiar à Agência FAPESP."

Na verdade não se sabe quantas espécies existem atualmente. As estimativas variam de 2 milhões a 100 milhões. Mas mesmo supondo que sejam 100 milhões ou mais, não se pode concluir com base nisso que os mecanismos de especiação sejam simples, quanto mais muito simples. Alguém aqui pode se lembrar da navalha de Occam. Mas por isso devemos escolher o mecanismo mais muito simples (dentre os que explicam bem algum fenômeno) independentemente da frequência do fenômeno: fenômenos raros ou comuníssimos devem ser explicados por mecanismos tão simples quanto possível. No entanto, tão simples quanto possível não quer dizer que seja intrinsecamente simples, apenas que é relativamente mais simples do que alguma outra explicação alternativa. P.e., a produção de biomassa com o uso da energia solar é algo extremamente comum em nosso planeta, porém o fenômeno da fotossíntese é bastante complexo.

"Além do fator relacionado à distância, o estudo determinou também que a reprodução só ocorre quando os indivíduos têm um certo grau de semelhança genética."

Na verdade o estudo parte da premissa de que indivíduos só se reproduzem com outros geneticamente similares. Basta dar uma olhada na descrição do método:

"We used agent-based simulations in which agents identified by geographical location and genotype undergo sexual reproduction in pairs limited by geographical and genetic proximity. Each offspring replaces a parent and differs in genotype according to genetic inheritance from both parents, with crossover and mutation, and in geographical location by dispersal. According to tests of multiple model variants, including parameter variation, sequential and synchronous mating, hermaphroditism and two sexes, single or multiple crossovers, direct assortative mating and separate fitness and sexual selection genetic components, our results apply quite generally, with the key properties needed being the limitations on spatial and genetic distances of mating." (Aguiar et al. 2009 [3])

Tampouco faria sentido um estudo tentar demonstrar que a distância genética leva a um isolamento reprodutivo, seria como um estudo atual tentar demonstrar que plantas fazem fotossíntese. Qualquer primeiranista do ensino médio sabem que indivíduos se reproduzem com indivíduos geneticamente similares. E a leitura do parágrafo seguinte da reportagem da Agência Fapesp confirma:

'Além da distância espacial, há também uma distância genética crítica. O que mostramos é que, se a distância espacial ou genética for muito grande, não há formação de novas espécies. Existe uma região de parâmetros na qual a especiação ocorre e uma outra na qual não ocorre', disse."

Então o que o estudo mostra é que a especiação ocorre somente quando os indivíduos se acasalam com outros indivíduos geneticamente similares (vide figura 2 do estudo de Aguiar et al. 2009 [3]).

Em relação ao estudo, o que se pode contestar um tanto é em relação à limitação geográfica do acasalamento. Isso elimina a migração entre populações distantes (o estudo até contempla aves migratórias, mas com reprodução restrita ao local de nascimento) - e estudos teóricos demonstram que a ocorrência de uma pequena taxa de migração é o suficiente para impedir a diferenciação entre populações de outro modo isoladas: daí a ocorrência de espécies cosmopolitas como a humana, as baratas, os ratos de esgoto, pardais e outras pragas. De fato, pelo estudo, quando o parâmetro geográfico tem seu valor aumentado, deixa de se observar especiação.

Não deixa de ser um estudo interessante de todo modo. E, para nós, é importante, pois se trata de mais um cientista brasileiro emplacando trabalho em uma publicação conceituada.

[1] Wright, S. 1938. Size of population and breeding structure in relation to evolution. Science 87:430-1.
[2] Wright, S. 1943. Isolation by distance. Genetics 28: 114-38. Disponível aqui.
[3] Aguiar, MAM. et al. Global patterns of speciation and diversity. Nature 460: 384-8. doi:10.1038/nature08168

Upideite (30/jul/2009): ainda sobre a migração; o trabalho, como dito, limita migração, mas organismos reais migram, migram e se especiam (aqui sob a intervenção da seleção natural ou da pressão de mutação superando o fator de homogeneização); mas o modelo ainda assim funciona; isto é, usam uma premissa sabidamente não realista (organismos não migram) e obtêm um resultado que se ajusta ao observado; esse é um ponto intrigante para se analisar.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Mala influenza - 10

A OMS desistiu de acompanhar todos os casos em cada país individualmente (praticamente todos os países membros tinham casos registrados). Publica agora apenas os números gerais por região.

No mundo, em 27 de julho, totalizavam-se 134.503 casos confirmados, com 816 mortes. Isso eleva o índice de mortalidade para 6,07 mortes por 10 mil casos (0,6%).

A imprensa parece ainda trabalhar com o índice de mortalidade de 0,45% - que valia até o começo do mês. Ainda divulgam que essa taxa é próxima à da gripe comum. Mas pela literatura, a taxa de mortalidade da gripe comum fica na casa do 0,1%.

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"The number of deaths is proportional to the number of people infected, usually about 0·1%, and influenza has been described as an invariable disease caused by a variable virus."
http://www3.interscience.wiley.com/cgi-bin/fulltext/120718156/HTMLSTART?CRETRY=1&SRETRY=0

"Estimated average seasonal influenza-associated excess mortality amounted to 16.0 (range: 2.9 to 40.6) excess deaths per 100,000 population. The conservative estimate was 7.8 (range: 0 to 26.1) deaths per 100,000 population (table 1)."
http://www.ete-online.com/content/2/1/6

"Seasonal influenza is a major cause of vaccine‐preventable disease mortality, causing an estimated 250,000–500,000 deaths annually worldwide and 30,000–50,000 deaths in the United States [1]. In a typical year in the United States, there are an estimated 25–50 million cases of influenza [...]"
http://www.journals.uchicago.edu/doi/full/10.1086/507544
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No Brasil, são, hoje, 45 mortes confirmadas, em 1.566 casos confirmados: 2,87% ou 287 mortes a cada 10 mil casos.

Seria leviano se eu dissesse que foi por isso que o MS adotou uma nova fórmula de cálculo. Distinguindo letalidade, calculada pela divisão do número de óbitos pelo número de casos *graves*, da mortalidade, calculada pela divisão do número de óbitos pelo número de *habitantes*. Tem, aparentemente, anuência da OMS, mas isso tem um potencial de gerar uma distorção mais séria.

No primeiro caso, é intuitivo que pacientes que apresentam um quadro mais grave tenham mais chances de acabar falecendo. Se uma doença A tem uma letalidade como acima definida de, digamos 20%, e uma doença B, apresenta uma mesma letalidade, serão as duas doenças de igual gravidade? Bem, e se, para a doença A, 70% dos pacientes desenvolvem um quadro grave, enquanto que para a doença B, apenas 10% dos pacientes têm um quadro grave?

No momento, segundo dados do MS, 14,2% dos pacientes diagnosticados com a gripe A(H1N1) desenvolveram um quadro considerado moderado a grave (com sintomas além da febre e da tosse), e 17% dos pacientes diagnosticados com a gripe sazonal evoluíram para o mesmo quadro. No entanto, esses números são dinâmicos - dependendo de uma série de fatores, incluindo o quanto a rede médico-hospitalar está preparada para receber os pacientes, qual será a dinâmica do espalhamento da doença, se o clima será mais severo ou menos rigoroso, se haverá grandes engarrafamentos ou não...

No caso, da mortalidade, de um lado, o número de habitantes no país pode acabar achatando demais os números. 0,015 óbitos por 100 mil habitantes pode não parecer muito. Uma doença com 1 morte por 100 mil habitantes pode parecer mais assustadora. Mas isso pode não se refletir na letalidade da doença - e que tem a restrição acima mencionada.

Verdade que nenhum número por si só dará o quadro completo, mesmo uma coleção de números pode ser enganosa. Mas quando o sistema de cálculo muda, quando as regras do jogo mudam no meio do caminho, isso pode causar confusão de um lado e desconfiança de outro.

Globo.com desmantela equipe de jornalismo científico

E agora não restou ninguém. Nenhum jornalista especializado em ciências.

Quem apagou a luz foi Reinaldo José Lopes na seção de Ciências do G1.com. Antes dele, Salvador Nogueira havia pegado o banquinho. Antes ainda Marília Juste. (Upideite 28/jul/2009: Felizmente a Juste ainda está no G1. Mas o desmantelamento houve. Ela foi realocada para outra editoria.)

Eles são da safra nova. Anteriormente os medalhões como Marcelo Leite, Maurício Tuffani e Ulisses Capozoli haviam sido botado para escanteio de seções e publicações especializadas. Marcelo Leite saiu da Folha e agora escreve como frila para o mesmo jornal (recebe pela coluna Ciência em Dia), Tuffani foi para a assessoria de imprensa da Unesp. Capozoli meteu a mão no próprio bolso para fazer vingar a Scientific American Brasil.

Claudio Angelo e equipe ainda restam na Folha, para onde se agrega Lopes (parece que só a Folha se salva ainda). Herton Escobar no Estadão.

A trupe continua sendo dizimada. A culpa agora, dizem, é a crise econômica mundial. Verdade que a imprensa propriamente dita, a impressa mesmo, em papel, vem enfrentando uma crise mais antiga de diminuição no número de leitores. Mas o G1.com é uma iniciativa totalmente baseada na web. E do conglô da Grôbo.

Seria a blogocúndia filomática brazuca capaz de mobilizar-se para tentar pressionar as corporações midiáticas a atar essa sangria?

Se criticamos o jornalismo científico praticado no país, certamente não é com o objetivo de fazê-lo desaparecer do mapa, e sim para que sua qualidade melhore. Eliminando pessoal capacitado, a tendência do material jogado nas mãos de pessoal não especializado e iniciante é acabar piorando. E muito. No máximo, vai virar "presrelize" das agências ligadas às revistonas (como o EurekAlert da Science Magazine) ou às grandes universidades americanas.

É possível que, passada a crise (econômica, publicitária, leitoral ou o que seja), o espaço de ciências na mídia tradicional volte a crescer. No entanto, ainda que isso ocorra, não poderá já ter feito um estrago difícil de reparar? Se se perde um talento para uma outra área que garanta mais bem o sustento - Tuffani, p.e., foi para a assessoria de imprensa -, como recuperar essa perda? Quanto tempo até lapidar um substituto? Essa perda é substituível?

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Mala influenza - 9


Número de casos - eixo principal:
25 confirmados em 24/abr/2009; 94.512 casos confirmados em 06/jul/2009.
Mortes - eixo secundário:
7 em 27/abr/2009; 429 em 06/jul/2009.
Países (inclui territórios ultramarinos) - eixo secundário:
2 em 24/abr/2009; 135 em 06/jul/2009.
Mortalidade ‰ - eixo secundário:
96 mortes por 1.000 casos em 27/abr/2009; 4 casos por 1.000 em 06/jul/2009.

Fonte: OMS.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Jornalismo científico em exame

De 30 de junho a 2 de julho foi realizada a 6a. Conferência Mundial de Jornalistas Científicos, em Londres. O evento foi patrocinado pela revista científica Nature, que dedicou um suplemento especial sobre o tema.

A premissa de partida nas análises do suplemento da Nature é que o jornalismo científico está sob ameaça, em crise, em declínio. Na minha visão, há um movimento de onda no espaço dado ao jornalismo científico: às vezes as editorias de Ciências nos jornais e revistas aumentam de tamanho, às vezes deseparecem. É possível que estejamos em uma fase de retração - acompanhando, entre outras coisas, a recessão econômica. Mas, de modo geral, o jornalismo impresso é tido como em crise: suas tiragens e vendagens vêm caindo ano a ano - o James da vez é a Internet.

Coloco aqui alguns questionamentos e observações levantados nos textos na Nature (atenção, não é um resumo nem mesmo um sumário de todas as idéias apresentadas, apenas uma coleção não representativa, recomendo fortemente que leiam os textos):
- O que mais um pesquisador pode querer de um jornalista além da inteligência necessária para reconhecer a importância do trabalho do pesquisador e da habilidade em escrever seu nome corretamente? [1]
- Ciência e jornalismo não são culturas totalmente estranhas entre si. Eles se constroem a partir dos mesmos fundamentos: a crença de que as conclusões necessitam de evidências/indícios, que as evidências/indícios devem ser abertos ao exame de todos e que tudo está sujeito ao questionamento. Ambas as profissões são constituídas por céticos profissionais; [1]
- Não há escassez de informações científicas; na verdade há uma explosão de informações disponíveis na web; mas na prática somente aqueles que a procuram irão encontrá-la; parte do trabalho de organizar e interpretar essas informações está sendo desempenhado pelo blogues sobre ciências, na maior parte dos casos, mantidos por jovens cientistas; muitos jornalistas usam esses blogues como fonte de pesquisa; [2]
- Tweeter e blogues abrem informações de encontros científicos para pessoas que não estão lá; isso pode dar acesso excessivo a dados brutos? Há um conflito entre a "open science" (dados gerados por pesquisas financiadas com dinheiro público deve ficar disponíveis a todos) e a questão da "prioridade" (os pesquisadores que suaram para gerar os dados devem ter o direito de analisá-los adequadamente e apresentá-los sob a forma de publicações inéditas), grupos rivais podem se aproveitar dos dados e "passar a perna" na concorrência; [3]
- O jornalismo científico está em decadência, a blogagem científica está em ascenção. Um pode substituir o outro? Alguns blogueiros científicos estão sendo contratados por jornais para escrever colunas semanais sobre ciências; [4]
- O jornalismo científico atual é movido a press-release, em especial, dos principais jornalões de ciências: Nature, Science, The Lancet et similia. O papel do jornalista seria o de prover uma contextualização e crítica aos trabalhos. Mas para isso seria preciso abrir a "caixa-preta" do processo de revisão pelos pares: quais os critérios para um tabalho ser aceito para a publicação? qual o papel do referee? [5]
- Em 1978 o New York Times lança sua seção de Ciências. Em 1987, 147 jornais americanos tinha pelo menos uma página semanal sobre ciências e havia 6 revistas sobre ciências. De lá para cá as seções de Ciências foram fechadas e o número de revistas declinou. [6]

[1] Cheerleader or watchdog?
[2] Filling the void
[3] Breaking the convention?
[4] Supplanting the old media?
[5] Toppling the priesthood
[6] Too close for comfort

terça-feira, 7 de julho de 2009

Ano vai, ano vem...

Questão de múltipla escolha.

Leia atentamente o excerto abaixo e depois responda:

"Até quando os pobres jovens serão obrigados a ouvir ou a repetir o dia inteiro? Quando lhes será concedido algum tempo para refletir sobre esse acúmulo de conhecimento, para ser capaz de coordenar essa infinidade de proposições, nestes cálculos sem relação?
[...]
Os alunos estão menos interessados em aprender e mais interessados em passar nos exames.
[...]
Por que os examinadores não propõem aos candidatos perguntas formuladas de uma outra maneira que não ludibriosa? Parece que eles temem ser compreendidos por aqueles a quem estão interrogando: qual é a origem desse deplorável hábito de complicar as perguntas com dificuldades artificiais?
"

Quem é o autor do texto acima e em que ano ele foi redigido?

a) Aluno de Engenharia Ambiental da UAB-UFSCar. 2007.
b) Aluno de Ciência da Computação do IME-USP. 2009.
c) Aluno de Ciências Biológicas do IB-Unicamp. 2008.
d) Aluno de qualquer curso de qualquer IES. Qualquer ano.
e) Évariste Galois aluno do curso de Ciências da École Normal. 1831.

A 2 de janeiro de 1831, o jornal estudantil Gazzette de Écoles publicou o artigo do gênio matemático francês Évariste Galois (que morreria em decorrência de um duelo no ano seguinte, aos 20 anos), no qual clamava por uma reformulação completa no modo de ensino de ciências. (Livio 2008: p. 152.)

Referência
Livio, M. 2008. A equação que ninguém consegui resolver: como um gênio da matemática descobriu a linguagem da simetria. Ed. Record. 398 pp.

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