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terça-feira, 30 de março de 2010

Penny no LHC

Manchetes de hoje, 30/mar/2010, sobre o reinício - finalmente - das atividades no LHC.

Estadão Superacelerador de partículas colide prótons e recria o 'Big Bang'
Folha Online Colisão de partículas simulando Big Bang chega a recorde
R7 Maior máquina do mundo consegue "imitar" origem do Universo
G1 LHC promove as primeiras colisões de partículas 'de laboratório' da história
NYTimes Large Hadron Collider Finally Smashing Properly

Estadão, Folha, R7: não tem quase nada a ver com Big Bang. Embora a energia envolvida seja recorde: 7 TeV* - é muito menor do que a energia que deveria haver, por exemplo, na era da grande unificação (GUT), com partículas de 1011 TeV. Na era de Planck, a energia deveria ser de 1016 TeV. A energia utilizada neste reinício de atividade - depois de uma série de problemas, incluindo migalhas de pão - é o suficiente para estudar partículas da época da separação entre a energia eletromagnética e a energia fraca - a transição de fase eletrofraca - da ordem de 1 TeV. Mas operações anteriores do próprio LHC já haviam atingido essa faixa.

A energia máxima para a qual o LHC foi projetado é de 7,5 14 TeV*. Então jamais a máquina irá desvendar o Big Bang. O principal objetivo do projeto é verificar a existência de bósons de Higgs e sua energia (massa). A massa dos bósons de Higgs tem implicações para a extensão da validade do Modelo Padrão a altas energias - na época em que o Universo se encontrava em um estado de plasma de quark-glúon.

G1: não são as primeiras colisões da história. Podemos considerar, p.e., os choques de partículas alfa contra folhas de ouro promovidas por Rutherford e seus alunos em 1909!

Pode cravar: o título do NYTimes é o mais fiel ao real valor do feito de hoje. (Eventualmente com os dados produzidos hoje pode ser que se encontre algo interessante - talvez os próprios bósons de Higgs - mas vai demorar um tempo até analisarem os resultados.)

Para acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos no LHC, o melhor é acessar a página especial do próprio Cern.

Upideite(30/mar/2010): @renanpicoreti corrige: "as colisões de hoje foram com 7 TeV no centro de massa. 3,5 TeV por partícula. A energia máxima é de 14 TeV no CM, 7 por partícula."
Upideite(31/mar/2010): O mesmo Picoreti lista os erros em uma matéria de 30 segundos do JN em seu N-Dimensional.

terça-feira, 23 de março de 2010

Research Blogging Awards 2010 - os ganhadores

Research Blogging Awards 2010Confira aqui os vencedores da edição deste ano do Research Blogging Awards. Na categoria "Língua Portuguesa", houve um empate entre "Bala Mágica" e "Brontossauros em meu Jardim".

Esse é o resultado da votação oficial, entre os blogueiros (e este bloguista) cadastrados no Research Blogging.

O GR promoveu uma votação popular paralela, não-oficial. Foram 35 votos válidos, os três primeiros lugares foram para: Brontossauros (com 15 votos), Evolucionismo (com 10 votos) e Bala Mágica (com 6 votos).

Entre os leitores que votaram, foi sorteado um exemplar do livro "Além de Darwin" do jornalista Reinaldo José Lopes. O ganhador foi Everton Lopes Batista, já comunicado por email. O sortudo receberá o exemplar - autografado e com dedicatória do autor - gratuitamente no endereço indicado.

Parabéns a todos os ganhadores.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Mala influenza 16

O pessoal do Scienceblogs já comentou sobre a mensagem de email que anda circulando com um texto alarmista contrário à vacinação: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Email que provocou uma resposta do próprio Ministério da Saúde.

No ano passado, um outro hoax causava desinformação. Mas esta nova é muito mais maligna.

É terrível que alguém - talvez por simples brincadeira - ponha a saúde e a vida de outros em risco. Mas é responsável também quem, acriticamente, repassa esse tipo de mensagem. Com email vale a máxima: na dúvida, delete sem repassar. Sim, porque as chances são muito altas de que seja uma farsa que faça mais mal do que bem - se é que algum bem fará. Pessoalmente, de possivelmente mais de 100 mensagens do tipo que pedem para ser repassadas que já recebi, somente uma era realmente uma mensagem correta (a do Carlos Hotta, do Brontossauros em meu Jardim): ou seja, menos de 1% das mensagens valia a pena repassar. (Sim, pode se considerar isso como um número amostral baixo - dado que referente à correspondência de uma única pessoa. Mas é apenas um número ilustrativo. Os valores médios gerais da fração de emails do tipo corrente que não são hoaxes - ou simples mensagens otimistas -, no entanto, não será muito diferente disso.)

Abaixo uma análise do hoax (que combina as piores características do tipo: palavras em maiúsculas, monte de exclamações, fontes grandes, cheia de cores... e, claro, muita, muita, muita, mas muita mesmo desinformação).

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RECEBI E ESTOU REPASSANDO. Subject: NÃO TOME A VACINA! - Por favor leiam NÃO DELETEM importantíssimo!!!

Clássico pedido de hoaxes. Sempre que ler algo do tipo, delete sem pestanejar. As chances são altíssimas de que estará fazendo um bem ao ignorar a mensagem.

Confira o calendário:

  • De 8 a 19 de março: profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, motoristas de ambulância, etc) e a população indígena;
  • De 22 de março a 2 de abril: indivíduos com problemas crônicos (menos idosos) e mulheres grávidas (independentemente do período de gestação);
  • De 5 a 23 de abril: pessoas com idades entre 20 e 29 anos;
  • De 24 de abril a 7 de maio: crianças entre 6 meses e 2 anos de idade (meia dose da vacina) ou idosos com doenças crônicas. Idosos sem doenças crônicas receberão a dose da influenza sazonal.
Até nesta parte o hoax é errado. O período de vacinação de crianças de 6 meses a 2 anos é de 22/mar a 02/abr/2010 (o MS prorrogou para até 23/abr). E faltam as datas dos indivíduos adultos de 20 a 29 anos: 05 a 23/abr e dos entre 30 e 39 anos: 10 a 21/mai. O calendário completo e correto pode ser visto aqui.

NÃO TOME A VACINA!
Recebi este e-mail de uma amiga. Estou repassando porque o assunto é muito sério, e a gente tem que ficar muito atento.


Mais letras garrafais e coloridas (eu removi as cores do email original), clássico sinal de hoax. Outros sinais clássicos: fontes desconhecidas (uma amiga quem?) e suposta seriedade.

principalmente, sobre NÃO tomar essa vacina assassina que estão querendo que seja compulsória acho que é Tamiflu. A vacinação em massa está programada para o início do Outono aí pra voces.. Aconteça o que acontecer NÃO tome! Ela será tripla. E segundo as pessoas que estão trabalhando arduamente para impedir este genocídio em massa do planeta, ela tem mercúrio e oleo de esqualeno, que são altamente tóxicos. Aliás aí na America, a loucura já chegou ao ponto de dizerem nas TVs que mercúrio é bom pra população! Na veia, melhor ainda pelo jeito. Morte na certa.

Já se vê o nível de desinformação... Tamiflu não é vacina. Vacina contém o patógeno (vírus ou bactéria ou parte deles que causam uma determinada doença - em geral em versão enfraquecida ou inativada) que irá ativar a resposta imune e criar uma memória imunológica. O Tamiflu é um medicamento contra o vírus da influenza, com o princípio ativo oseltamivir, ele não ativa o sistema imune, não tem o patógeno. Só por isso já se vê que não há nenhuma credibilidade no email.

A vacinação não é compulsória. Nenhuma campanha de vacinação no Brasil é compulsória - desde a Revolta da Vacina em 1904. E, se fosse compulsória, de nada adiantaria um email alertando para não se vacinar - compulsória quer dizer obrigatória por força (em um estado democrático, pela força da lei), não haveria escolha.

A vacina não é tripla. A dose é simples e de aplicação única. Não contém combinação de patógenos como a tríplice viral.

A vacina tem mercúrio, como preservante. O mercúrio é tóxico, mas o teor adicionado na vacina é mínimo. O mercúrio é adicionado na forma de timerosal e está presente em cada dose na quantidade de até 50 micrograma em vacinas. É o suficiente para evitar a contaminação da vacina por micro-organismos, mas a dose letal mínima do mercúrio combinado com composto orgânico (metil-mercúrio, que tem 90% de mercúrio em massa) é de 20 mg/kg - o que dá cerca de 18 mg/kg para o mercúrio. Em uma criança com 3 kg, isso corresponderia a 36 miligrama de mercúrio. Uma dose de vacina tem, no máximo, 1 parte em 720 da dose letal mínima para uma criança.

A vacina tem óleo esqualeno, como adjuvante - que permite que uma dose menor de vírus confira uma resposta imune adequada (isso é importante, pois permite a produção de maior quantidade de vacina com uma produção limitada de vírus inativados). O esqualeno é obtido do fígado de tubarão e também a partir de algumas plantas (está presente naturalmente no azeite de oliva). Há estudos que indicam que sua presença na dieta - sobretudo na chamada dieta do Mediterrâneo - tenha efeitos benéficos na saúde. Azeite de oliva tem cerca de 4 mg/1 ml de esqualeno. Uma dose de vacina tem algo em torno de 10 mg de esqualeno. Uma colher de chá de óleo de oliva tem o dobro.

Até onde sei, a primeira vacina faz com que as hemacias caiam drásticamente, a segunda injeta o vírus, e a terceira "liga" o corpo de novo para ele começar a lutar, só que aí já é tarde tamanha a violência do ataque dos virus que já se multiplicaram.

Como se vê, o autor ou autora do hoax não sabe nada. Há uma só dose da vacina. Não há nenhuma queda de hemácias. Nenhuma vacina só injeta o vírus em uma segunda dose - senão a primeira nem vacina seria.

Isso tudo Vivian com a ajuda da OMS (ONU), e da NOvartis que é quem criou o vírus (e a vacina!). Aqui no Rio o Butantã já comprou a maldita, e a Fiocruz estárá aplicando Tamiflu na população (procura Tamiflu por aí para saber o que é). Hoje no trabalho uma cliente disse que no hospital de Acari, já reservaram um andar inteiro (que é o das grávidas) para enviar pacientes com a gripe.Você pode achar isso tudo uma loucura, mas é.

O Instituto Butantan não tem nenhuma representação no Rio de Janeiro. O Butantan é vinculado à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. A Fiocruz (subordinada ao Ministério da Saúde) é a congênere fluminense - sem nenhuma vinculação institucional com o Butantan, salvo eventuais parceriais e convênios. Não será aplicado Tamiflu que, como explicado, não é vacina. As vacinas são aplicadas, dentro do calendário divulgado, nos postos de saúde em todo o Brasil. O Tamiflu é administrado sob receita médica aos indivíduos com a gripe - e apenas em determinados casos.

As doses da vacina adquiridas pelo MS são de três fontes: além da Novartis, a Glaxo Smith Kline e a SANOFI Pasteur (que fez parceria com o Butantan para a produção local de vacina).

Uma jornalista austríaca Jane Burgermeister, protocolou essa semana um processo contra a ONU (Organização Mundial da Saude) acusando-os de tentativa de assassinato em massa das populações do planeta através de vacinação compulsória, cuja vacina está cheia de agentes altamente letais e tóxicos, e a Novartis também por genocidio e lucro com a venda de uma vacina que nem testada foi.Detalhe: a gripe "apareceu" no México, curiosamente, uma das fábricas da Novartis, que fica á 50km de onde o primeiro foco começou.. Acesse o site dela, pois pessoas nos EUA inteiro estão ajudando a descobrir essa tramóia toda, enviando emails, e monitorando o exercito da ONU que está fazendo exercicios de treinamento por aí. Você também fica de olho! Te dou o link para o site dela, e o link para a tradução de alemão para Inglês da cópia do processo. Isso, NÃO é brincadeira. Aqui todos estão iguais a robôs e papagaios repetindo o que a TV diz, mas é muito, muito sério. Eu estou me mobilizando o máximo que posso para fazer com que o numero máximo de pessoas também saibam e ajam URGENTEMENTE. NÃO acredite em nada do que alguém da saúde daqui possa te dizer em contrário. Duvide de tudo. Faça sua própria pesquisa. Somos signatários da ONU e teremos de fazer o que ela quer com a ajuda militar. Mas se a população acordar antes, isso poderá ser evitado. Isso, não é maluquice minha amiga. É real, e está acontecendo agora. Fontes para vc se informar melhor:
www.davidicke.com http://birdflu666.wordpress.com/ (o site da jornalista)

Não foi na semana passada. Burgermeister protocolou um processo em 2009. Mas até aí, um certo adivinho protocolou um processo contra o governo americano pedindo a recompensa por supostamente indicar o esconderijo de Saddam Hussein. Os dois processos não foram para frente por falta de provas.

A Novartis México tem uma divisão de saúde animal. Que fica em Guadalajara, Jalisco. O surgimento da nova gripe provavelmente se deu em Perote, Veracruz. Mais de 500 km de distância. Devem ter confundido com Perote, Jalisco.

A garota tem peito! Está simplesmente processando a ONU! Protocolou o processo na semana passada na corte austríaca e logo depois foi despedida do emprego.Segue o link para a página com a tradução em Inglês do processo. http://birdflu666.wordpress..com/page/2/

Há várias pessoas desequilibradas ou que querem aparecer. Há também aqueles que são honestas, mas estão simplesmente erradas. (Novamente, por semana passada, leia-se ano passado. Isso indica que o email foi adaptado de um hoax estrangeiro.)

Acho que isso tudo poderia ser uma grande mentira, mas a prova de que não é, é o fato de niguém, mas abolutamente ninguém estar desmentindo a jornalista. Não há ninguém na TV falando sobre isso, aposto que aí é a mesma coisa. Mas na Internet enquanto é livre, há muita informação. Há muito lixo também, mas vá aos links que te indiquei e depois faça a sua pesquisa. Vc vai ver que é real. Se vcdigitar no Youtube "Fema coffins" vc verá que o orgão americano que é o gestor de crises, já comprou dezenas de milhares de caixões, que até pelo Google Earth já conseguem ser vistos, tamanha a quantidade. Desculpe minha amiga, pelo longo email, e com essas noticias bem perturbadoras, mas, como disse isso não é brincadeira. Fique de olho, e acesse o Youtube sobre NWO (Nova Ordem Mundial), flu, o David Icke. O que você puder. Ah, não se esqueça de se entupir de propolis e de se alimentar da maneira mais natural possível e se proteja.

Ser ignorado não é sinômino de estar certo. Faça um experimento, publique uma página na internet e diga que tem a senha da conta de Bill Gates em associação com Incas Venuzianos. Será solenemente ignorado.

Os 'Fema coffins' na verdade são o estoque de uma empresa, a Vantage Products, que manufatura produtos funerários. São urnas que protegem o caixão contra o colapso do terreno. O estoque é de 50.000 unidades. Apenas uma fração dos mais de 900.000 enterros realizados anualmente nos EUA. (Que tipo de genocídio pretendem fazer com tão poucas unidades é de se perguntar.)

Se entupir de própolis? O que é isso? Uma conspiração dos produtores de própolis para aumentarem seus lucros? Aliás, se formos na mesma toada alarmista:

"Additional experiments with BRG and BRPG samples were abandoned because at concentrations higher than 25 µg/ml both extracts were toxic to macrophages. In fact some studies have demonstrated propolis toxicity for different cell types (Higashi & de Castro 1994, Chen et al. 2001, Ferguson 2001, Dantas et al. 2006, Tavares et al. 2006). For example, damage to murine macrophages was observed after treatment with ethanolic extract of propolis at concentrations above 30 µg/ml (Higashi & de Castro 1994), and genotoxic effect of ethanolic extract of Brazilian propolis (100 µg/ml) was detected in Chinese hamster ovary cells (Tavares et al. 2006). The mechanism of propolis cytotoxicity is still unknown (Tavares et al. 2006)." Ayres et al. 2007.

Claro que é bobagem falar que própolis seja perigoso por esse resultado. Mas, em que se pesem as diferenças de modo de administração, os 25 microgramas/ml do própolis é um milionésimo dos 20 miligramas/kg do mercúrio por via oral.

8 RAZÕES PQ VC Ñ DEVERIA TOMAR A VACINA H1N1?
. A vacina H1N1 contém mercúrio - a segunda substância mais perigosa do planeta depois do urânio! O veneno de uma cascavel é menos perigoso que o mercúrio! O Mercúrio em outras vacinas está ligado à epidemia de autismo entre crianças!
. Ela contém esqualeno, uma substância que quando injetada no corpo pode fazer o sistema imunológico humano voltar-se contra si mesmo!
. Ela contém células de câncer de animal que pode provocar câncer nas pessoas!
. Até o governo federal não está confiante quanto à segurança da vacina H1N1, é por isso que foi dada às indústrias farmacêuticas imunidade contra ações judiciais. Isto significa que se seu filho ou esposa ficar inválido ou morrer por causa da vacina H1N1, você não poderá processar a indústria farmacêutica que fez a vacina!!!
. A entrada no mercado da vacina foi acelerada, o que significa que todos os efeitos colaterais a médio e longo-prazo não são conhecidos!
. Em 1976 o instituto médico afirmou que havia uma situação crítica relativa à gripe suína, quando de fato somente 5 pessoas em todo o país adoeceram com ela. A situação crítica foi uma fraude na época tal como é uma fraude agora. As pessoas começaram a morrer ou ficarem inválidas após tomarem a vacina contra a gripe suína!
. As estatísticas e os fatos estão sendo manipulados para provocar pânico! O número de pessoas que supostamente estão com o H1N1 são somente estimativas, não números reais. Os testes usados para o H1N1 NÃO são aprovados pela FDA (Agência de Drogas e Alimentos dos EUA), e esses testes NÃO são confiáveis! Os poucos que supostamente morreram por causa do H1N1 também estavam com pneumonia ou outras doenças, entretanto, o instituto médico quer que você acredite que o H1N1 foi a única causa dessas mortes.
. De acordo com as declarações dos Centros de Controle de Doenças, Agência de Drogas e Alimentos e da Organização Mundial da Saúde (OMS), o H1N1 é uma doença moderada da qual muitas pessoas se recuperam em uma semana sem medicação!

As duas primeiras bobagens da lista já foram desmascaradas mais acima.
3) As vacinas não contêm nenhuma célula - exceto as vacinas contra doenças bacterianas que possuem, naturalmente, células bacterianas. Os vírus são multiplicados dentro de ovos de galinha - que nem são cancerosos nem provocam câncer -, para se obter o vírus, ocorre alguns processos de purificação que removem os resíduos celulares do ovo (alguma proteína - e não células - e outros compostos podem ficar, o que torna a vacina inapropriada para quem é alérgico a componentes do ovo).
4) A imunidade contra ações judiciais foi dada pelo governo dos EUA, que não têm nenhuma validade aqui no Brasil. Isso, porém, é feito desde 1980, por fins práticos (a ação judicial por qualquer efeito adverso é muito frequente por lá).
5) Houve até um certo retardo na entrada da vacina. De fato, não se sabem exatamente os efeitos de médio e longo prazo. Mas não é possível se esperar tanto tempo. De todo modo, como a técnica é a mesma para a produção de vacinas das gripes sazonais, é de se esperar que os efeitos sejam praticamente os mesmos.
6) Em 1976 não houve uma fraude, mas excesso de precaução. E só podemos saber retrospectivamente que houve excesso. Basta pensar em um seguro, digamos, contra incêndio. Podemos passar a vida inteira pagando sem que precisemos recorrer a ele - e na verdade esperamos que jamais precisemos. No entanto, pode ser um bom negócio para o segurado pagar pelo título, para eventualidades. Agora, consideremos o oposto: e se o governo americano não tivesse agido e houvesse uma pandemia? E não foram apenas 5 pessoas que adoeceram, foram 25 que morreram. E na pandemia atual morreram beeeeem mais do que 25 pessoas.
7) Na verdade, desconfia-se do contrário: que os dados possam estar subestimando os números reais - as subnotificações. Seja por problemas técnicos, seja pelo fato de governos não gostarem de serem vistos como incompetentes na contenção de doenças. O governo brasileiro, via Ministério da Saúde, reclamou bastante de projeções infladas noticiadas pela mídia.
8) É verdade. Porém, muitas outras desenvolvem complicações sérias. Além disso, uma semana é um tempo que pode ser demasiadamente longo - tanto pessoalmente, quanto do ponto de vista de ônus social com faltas ao trabalho. A vacinação pode evitar isso.

Espalhe a Informação!
Faça pelo menos dez cópias deste informativo e distribua entre Familiares e Amigos!!! Assista a videoclips gratuitamente sobre o Logro do H1N1 em: www.vaccinesaredangerous.com
Um clipe mostra uma mulher que já ficou permanentemente inválida por causa da vacina. Também encomende: "As Vacinas São Perigosas - Uma Advertência Para a Comunidade Global" por Curtis Cost. É o primeiro e único livro que expõe o Logro da Gripe Suína H1N1!

Não espalhe desinformação. A vítima pode ser você, ou seu filho, ou algum familiar ou amigo seu. Com a vacinação haverá menos riscos da gripe se espalhar e se manter.

E vale o que eu disse na análise de outro hoax:

NUNCA REENVIE NENHUMA MENSAGEM A SEUS CONTATOS DENTRE AS QUE PEDEM PARA SER REENVIADA.

Mesmo as que parecem bem intencionadas. Em uma corrente, como no telefone sem fio, sempre há alguma coisa que se altera no meio do caminho - pode ser um espírito de porco (bem apropriado para a gripe suína), pode ser um erro involuntário. Essa alteração pode ser grave.

Procure informações sempre em fontes confiáveis. (Desconfie até das informações dadas por este blogue. Eu mesmo evito dar pitacos sobre a nova gripe, ainda que faça aqui o acompanhamento da evolução do número de casos e de óbitos, não sou especialista. Se receberem o mesmo spam aqui respondido e forem contra-argumentar, não indiquem esta postagem, usem as referências aqui citadas: OMS, MS, CDC... Procurei trazer informações relevantes, mas posso inadvertidamente ter interpretado erroneamente ou ter tirado do contexto devido.)

Upideite(31/mar/2010): O MS divulgou nota oficial rebatendo os boatos. (Via Ecce Medicus.)

Editora Elsevier pressiona revista "Medical Hypothesis" a adotar o peer-review

O que acontece quando dois pilares das ciências modernas entram em conflito?

A revisão pelos pares - o peer-review - é um processo bastante criticado, mas ainda não encontraram um melhor modo de garantir a qualidade científica mínima dos trabalhos publicados. Quando bem feita detecta erros, dos grosseiros aos mais sutis. Os revisores, conhecedores da área, poderão sugerir melhorias em relação à metodologia empregada, interpretações alternativas dos resultados, fontes mais atualizadas e confiáveis da literatura. Os cientistas em geral, os que submetem os artigos, podem achar chato, mas ao mesmo tempo, em sua maioria, reconhecem que há ganho potencial.

Sim, o processo é custoso em termos de tempo e mesmo de grana - embora a correspondência eletrônica tenha enxugado muito os custos de postagens e diminuído o tempo de resposta. E não é infalível. Mas talvez a situação estivesse pior se não fora esse filtro prévio na comunicação científica.

Por outro lado, a livre comunicação de ideias é um fator essencial no desenvolvimento das ciências. É a própria razão da comunicação científica, aliás. Fóruns, congressos, periódicos, seminários... são desenvolvidos para facilitar essa troca. Parte das críticas ao processo de peer-review dizem respeito a essa limitação do livre fluxo de informação dentro da comunidade científica.

Algumas revistas publicam artigos sem o processo tradicional de revisão por pares (embora, claro, haja um filtro editorial - no mínimo, para verificar a adequação temática). Uma delas é a Medical Hypothesis (MH). Sua linha editorial tem como objetivo publicar ideias fora do quadro corrente aceito pela comunidade científica (alguns diriam "extravagâncias"). Segundo a linha editorial da própria revista: "The journal will consider radical, speculative and non-mainstream scientific ideas provided they are coherently expressed."

Muitas questões polêmicas foram defendidas desde seu primeiro volume em 1975. E não apenas de ordem médicas, como seu nome sugere - há, p.e., um artigo sobre dinossauros e aves.

Por não se valer de peer-review e por sua natureza polêmica, a revista não tem um conceito muito elevado dentro da comunidade científica. Mesmo assim tem se mantido há 35 anos e é publicada atualmente pela poderosa Elsevier, editora neerlandesa de livros e revistas acadêmicas e científicas.

Mas um artigo do ano passado, de Peter Duesberg e colaboradores, questionando (sem surpresas para quem conhece Duesberg) o HIV como agente causador da Aids causou uma intensa polêmica e resultou em seu cancelamento. O mesmo ocorrendo com outro artigo, também sobre a Adis, de Marco Ruggiero.

Eu já bati forte na Superinteressante (SI) por publicar, sem questionamentos, as ideias de Duesberg. Aqui e aqui. E ainda mantenho as críticas feitas à revista.

Há uma diferença importante, porém. A SI é uma revista voltada para o público leigo. A MH, para cientistas. (Sim, pelos melhores dados que temos, a hipótese de Duesberg não para em pé, é totalmente equivocada.) O leigo, em geral, não terá conhecimento suficiente para, por seus próprios meios, avaliar criticamente isso. Já o cientista e, em particular, os cientistas da área de saúde, têm toda uma formação - e sabem muito bem o tipo de revista que a MH é. A MH não é uma revista aberta (ainda bem) - demanda assinatura.

Que a comunidade científica critique o artigo e que isso leve a seu cancelamento faz parte natural do processo de depuração e controle de qualidade das informações científicas disponíveis.

Mas o caso teve outro desdobramento conforme nos relata a revista Nature. Diante das críticas, a Elsevier resolveu implementar uma alteração nos procedimentos editoriais da revista: entre outras coisas, pretende introduzir o peer-review. O editor da MH, Bruce Charlton, se posta irredutivelmente contrário. Para ele, seria matar a essência da revista.

Esta situação merece uma atenção especial dos sociólogos das ciências - como a comunidade científica se comporta - bem como dos filósofos das ciências: a que parâmetros recorremos no choque entre a liberdade de informação científica e a qualidade dessa informação?

sexta-feira, 12 de março de 2010

Discutindo ciências filosoficamente 6

Continuando a postagem anterior sobre a análise das ciências de Thomas Kuhn.

Possivelmente o conceito mais famoso da teoria kuhniana do desevolvimento científico seja o de paradigma. Mas talvez seja menos útil do que a controversa noção da incomensurabilidade. Paradigma vem da palavra grega para 'padrão, modelo para comparação' - sim, a escolha do termo é estranha quando se considera que é usada para se referir a coisas que supostamente não podem ser comparadas.

Na análise kuhniana, 'paradigma' acabou por adquirir dois significados um tanto distintos: um para se referir ao conjunto de teorias, práticas e culturas de uma comunidade científica durante a vigência do período de ciência normal; o outro tem um sentido mais restrito: podendo se referir a uma teoria em específico, a uma parte dela, a uma hipótese. (Nos comentários da postagem anterior, Thiago Santos, do sítio/blogue Polegar Opositor, lembra que Kuhn foi acusado de ter usado com mais de duas dezenas de significados diferentes.) Para piorar a situação, o termo é usado com bastante liberalidade nas mais diversas áreas: das artes às ações de recrutamento de trainees. É então um termo que basicamente é mal delimitado: p.e., no sentido amplo, qual o grau de diferença deve ser observada para se caracterizar dois paradigmas como distintos? (Menos útil não quer dizer inútil - afinal, é uma dificuldade similar em relação à, por exemplo, palavra 'espécie' em biologia.)

O que seria importante enfatizar disso é que:
1) A prática científica é um empreendimento humano, social - há uma comunidade por trás: o que traz uma série de implicações - as disputas de poder, os modismos, o corporativismo, as sensibilidades, o sentimento estético, a moralidade, etc.
2) Isso estaria inextricavelmente imbricado no tecido das teorias científicas: sua criação, manutenção e desenvolvimento não estariam a cargo unicamente da racionalidade.

São elementos que levam Kuhn a defender a tal incomensurabilidade: quando se muda o paradigma (no sentido amplo), muda-se toda uma cultura, uma visão de mundo, de modo que seriam essencialmente incomparáveis. Mas e, como mencionamos na postagem anterior, o progresso científico?

Kuhn propõe uma visão selecionista - brevemente mencionada na primeira postagem da série - quando um novo paradigma se instala, ele basicamente deve resolver os problemas (as anomalias) acumuladas, mas também precisa explicar o essencial do que era explicado pelo paradigma anterior. Quando propostas de futuros paradigmas são colocadas durante a crise, um embate ocorre entre elas, terminando por prevalecer - e instalando um novo paradigma - aquela que melhor equilibrar as duas partes: o novo e o antigo.

Porém essa visão acima não é compatível de todo com a incomensurabilidade: se há progresso, se o novo paradigma explica mais coisas, então temos efetivamente um modo de comparação.

O leitor atento - como é todo leitor deste blogue - coçará a cabeça: "Alto lá! Você disse que a incomensurabilidade seria um conceito mais útil do que paradigma, mas se não há incomensurabilidade... Como uma palavra para designar o inexistente seria mais útil do que uma para designar o indefinível?"

Conforme adiantei parcialmente na primeira parte deste texto sobre a análise kuhniana, não digo que não haja incomensurabilidade - talvez seja possível criar duas explicações incompatíveis entre si e que, no entanto, não nos seja permitido dizer qual a que melhor explica a natureza ou parte dela. O que mais se parece aproximar dessa situação são, como já escrevi, as mecânicas quântica e relativística. Mas parece que as mudanças nos esquemas científicos não se dão, em geral, por meio de tais incomensurabilidades.

E quanto às mudanças de paradigmas? Há bastante debate a respeito de se a evolução das ciências ocorre ou não por meio de mudanças de paradigmas. Alguns aceitam que seja um modelo válido para parte das ciências: notadamente a física e a cosmologia, mas não de modo generalizado - e.g. Ernst Mayr considera que em biologia, essencialmente desde Darwin, não há tais rupturas.

Pode ser ainda o caso de ocorrer mudanças paradigmáticas, mas não necessariamente por crises - além de ocorrer crises sem necessariamente levar a mudanças de paradigma.

Upideite(13/03/2010): Assim resumiu Mayr sua análise sobre a inaplicabilidade da teoria kuhiana no campo da biologia:
1) Há, sim, efeitos de grandes e pequenas revoluções na história da biologia;
2) Porém, as principais revoluções não necessariamente levam a rupturas de paradigmas: um paradigma anterior e o seguinte podem coexistir por longos períodos e não são necessariamente incomensuráveis;
3) Subáreas mais ativas da biologia não apresentam períodos de ciência normal: há uma contínua série de pequenas revoluções intercaladas a revoluções maiores;
4) A epistemologia "evolucionista darwiniana" parece explicar melhor as mudanças em biologia do que as revoluções kuhnianas;
5) É provável que um paradigma predominante seja mais afetado por um novo conceito do que por uma nova descoberta.
(Mayr, E. 2005 - Cap. 9 As revoluções científicas de Thomas Kuhn acontecem mesmo? In: Biologia - ciência única. São Paulo: Cia. das Letras. 266 pp. Pp: 174-84.)

O item 2 na verdade nega a existência de revoluções propriamente ditas - que, por definição, implicam em rupturas. Mayr enxerga mais uma evolução gradual e contínua - o que ele chama de "epistemologia evolucionista darwiniana" (em um sentido, o próprio Kuhn aceitava a ideia de competição darwniana entre paradigmas, mas a visão de Mayr difere por ser gradualista).

sábado, 6 de março de 2010

Discutindo ciências filosoficamente 5

Thomas Kuhn talvez seja mais bem descrito como historiador de ciências do que filósofo. Sua principal obra: "Estrutura das Revoluções Científicas" é uma das mais citadas em trabalhos acadêmico sobre ciências.

Kuhn rompe com a tradição positivista da análise de ciências: para ele não ocorre uma progressão do conhecimento de modo uniforme. Segundo Kuhn, de tempos em tempos, as ciências passam por períodos de crise - em que as ideias vigentes são desafiadas pelo acúmulo de observações contrárias - que se encerram com uma total reviravolta no modo de pensar e de lidar com os problemas científicos (com a substituição dos cientistas da velha guarda por cientistas da nova guarda).

(Interessante notar aqui um certo paralelismo com as escolas uniformitaristas e catastrofistas da interpretação do registro geológico. Mudanças pequenas, graduais e constantes versus alterações grandes, abruptas e intermitentes. Praticamente a mesma oposição que encontramos entre os gradualistas filéticos e os defensores do equilíbrio puntuado na origem das novas espécies.)

Então, segundo Kuhn, as ciências, na maior parte do tempo, encontrar-se-iam em um estado que ele chama de ciência normal - a comunidade científica trabalha com um certo conjunto de ideias, crenças e valores, há um certo acordo em relação a que temas trabalhar e como abordá-los, que classe de problemas são interessantes de se estudar, que metodologia é válida ou não... Eventualmente pequenas observações não se encaixam nesse grande quadro teórico compartilhado, mas são deixadas de lado - denominadas de anomalias na terminologia kuhniana.

Com o passar do tempo, as anomalias se acumulam e o quadro teórico compartilhado torna-se progressivamente incapaz de explicar as novas observações. Há alguma insatisfação por parte de novos pesquisadores, mas a cultura científica vigente procura manter - algo por inércia, algo por conservadorismo (e confiança em um quadro que se mostrou útil no passado) - tudo mais ou menos como está. Eventualmente o acúmulo se torna de tal monta que o quadro teórico (bem como as práticas correntes) passa a ser mais e mais contestado - sobretudo por novos cientistas. Seria a época da crise - que Kuhn denominou de... crise.

A crise precipitaria a ocorrência de uma alteração completa no modo de pensar e agir da comunidade científica - novas abordagens, novos problemas, novas teorias -, período que Kuhn batizou de revolução (se lhe vêm à mente coisas como revolução francesa ou revolução bolchevique, não estará muito longe do que Kuhn quis ilustrar com o termo).

O aspecto mais controverso da visão kuhniana é que esse novo conjunto de problemas, abordagens e cultura científica seria tão diferente do conjunto anterior que não haveria parâmetros possíveis de comparação ou equivalência - o que se chamou de incomensurabilidade.

Podemos ilustrar a diferença de interpretação entre os kuhnianos e os "positivistas" (incluindo "realistas" e "progressistas") sobre o processo de evolução científica com a mudança da mecânica newtoniana para a mecânica einsteniana. Na primeira, o tempo é absoluto - a passagem do tempo é uniforme para qualquer sistema referencial -, ele é distinto do espaço - cuja medição depende do referencial. Na teoria de Einstein, a passagem do tempo depende do referencial - em um referencial em movimento, a passagem do tempo é dilatada, e o espaço é contraído na direção do movimento. Para Kuhn essa diferença criaria duas abordagens irreconciliáveis - são essencialmente diferentes: em uma o tempo é absoluto e em outra o tempo é relativo. Mas para os "positivistas", a mecânica newtoniana pode ser vista como um caso particular da mecânica einsteniana - os valores previstos a respeito do movimento, energia, massa e passagem do tempo convergem para velocidades muito mais baixas do que a da luz (e em situação em que o campo gravitacional também não é suficientemente intenso).

A ideia da incomensurabilidade - que é essencialmente incompatível com a noção de progresso científico - é rejeitada também em função da alta carga de relativismo epistemológico que importa: se não é possível a comparação, não é possível dizer que uma visão seja superior a outra - tão somente que uma é a adotada pela comunidade científica atual.

Como argumentei de passagem na primeira postagem da série, é difícil defender que não haja um progresso científico quando observamos a ligação atual entre ciências e tecnologia e como, ao longo do tempo, somos mais e mais capazes de prever com precisão certos fenômenos e controlar aspectos da natureza a nosso favor (embora muitas vezes com consequências imprevistas e problemáticas). No mínimo existe essa moeda em comum que permite a comparação entre duas visões de mundo a respeito do funcionamento da natureza - ou de parte dela: qual delas é capaz de fazer previsões mais amplas e acuradas?

No entanto, eventualmente será possível que haja duas teorias concorrentes - igualmente parcimoniosas - que, embora diferentes na essência, façam previsões equivalentes: o que me vem à mente é a contraposição entre a mecânica einsteniana e a mecânica quântica. Então, talvez seja uma descrição inacurada por parte de Kuhn que toda mudança pós-crise leve a um conjunto incomensurável em relação ao conjunto anterior. Mas o conceito da incomensurabilidade, ao contrário do que consideram os críticos mais ferrenhos, talvez não seja de todo inútil.

(Continua na próxima postagem da série.)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Mala influenza 15

O MS lançou uma campanha de esclarecimento e prevenção à nova gripe A(H1N1) e também de vacinação contra ela.

Um dos vídeos da campanha aqui:


E pra derreter o coração das donzelas (e de alguns marmajos), eu proporia como garotos-propaganda da campanha de prevenção os guris abaixo.

"Lava outra mão, lava uma mão"...

E atenção ao calendário de vacinação (para receber sua vacina - se fizer parte dos grupos prioritários - basta se dirigir aos postos de saúde, ou postos volantes que serão montados à época, nas datas correspondentes - grupos especiais receberão ainda a vacina contra a gripe sazonal):
Fonte: MS. Upideite(01/abr/2010): O MS prorrogou a segunda etapa (grávidas, doentes crônicos e crianças de seis meses a dois anos) para até 23/abr.

Por que é importante se vacinar? Por dois motivos: um é a própria saúde - a vacinação é um processo bastante eficaz de se prevenir contra a gripe -, a outra é a saúde das demais pessoas - quem se vacina deixa de ser uma possível fonte de transmissão.

No ano passado, foram registrados no Brasil (dados do boletim epidemiológico 34, de agosto de 2009) pelo menos 6.592 casos da nova gripe por aqui. Em uma população de cerca de 190 milhões de habitantes, isso dá cerca de 1 chance em 3.000 de adoecer - considerando-se as condições do ano passado: mas pode ser muito maior nesta segunda onda (valendo-se modelos de transmissão de gripes sazonais).

Tomando a vacina, as chances de se contrair a gripe caem para praticamente zero. Em modelos animais, a imunização foi 100% eficiente. E, como se trata de vírus mortos e não apenas atenuados, não há riscos de se contrair a doença pela vacina. Há possibilidade de pequenos efeitos colaterais (náuseas, febre e dores de cabeça); reações alérgicas mais graves são muito raras, baseando-se nas vacinas trivalentes contra a gripe comum (vide tabelas 1 e 2).

Os casos de mortes registradas são de 0,5 morte por milhão de vacinas aplicadas. Compare-se com os 657 óbitos registrados no Brasil no ano passado pela nova gripe: cerca de 3,5 mortes por milhão (novamente, na segunda onda, isso poderia aumentar).


Tabela 1. Reações leves reportadas em adultos - para vacina trivalente contra a gripe comum.
Problema Taxa (por milhão)
Reação no local de injeção 12,8
Dor 3,35
Vasodilatação 4,16
Febre 3,3
Mialgia 3,12
Prurido 2,78
Dor de cabeça 1,97
Erupções 1,89
Astenia 1,8
Urticária 1,64
Fonte: Vellozzi et al. 2009.

Tabela 2. Reações graves reportadas em adultos - para vacina trivalente contra a gripe comum.
Problema Taxa (por milhão)
Síndrome de Guillain-Barré 0,7
Astenia 0,6
Parestesia 0,56
Febre 0,53
Dispneia 0,4
Dor 0,37
Miastenia 0,34
Reação no local de injeção 0,33
Hipocinesia 0,3
Dor de cabeça 0,27
Fonte: Vellozzi et al. 2009.

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