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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Não deixemos o Rock com Ciência morrer

O programa de rádio e podcast Rock com Ciência, criado, produzido e mantido pelo Prof. Dr. Rubens Pazza (que também comanda o blogue DNA Cético) da Universidade Federal de Viçosa vai ser encerrado por... falta de espaço (físico).

Não foi cedida para a produção do programa uma simples salinha nas instalações do câmpus do Rio Paranaíba para os equipamentos e gravação dos episódios.

Você que curte ciências e/ou roque; você que sabe da importância da divulgação científica; você ouvinte do Rock com Ciência; você membro da comunidade da gloriosa Federal de Viçosa; você que está preocupado com a educação no país; você metazoário cordado mamífero primata; precisamos deixar bem claro para a direção do câmpus do Rio Paranaíba e outras instâncias da UFV que não concordamos com esse fim.

Proteste (sempre com o devido respeito, claro):
(34) 3855-9300
diretoriacrp@ufv.br* (direitoria do câmpus do Rio Paranaíba)
dex@ufv.br (pró-reitoria de extensão da UFV)

Eu enviei a mensagem abaixo:
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From: Roberto Takata 
Date: 2012/12/20
Subject: Sobre o fim do programa Rock com Ciência
To: diretoriacrp@ufv.br

Excelentíssimo Diretor Geral do Campus de Rio Paranaíba Prof. Dr. Luciano Baião Vieira,

Soube que o valiosíssimo trabalho de divulgação científica Rock com Ciência produzido no câmpus do Rio Paranaíba será descontinuado por falta de espaço para acomodação de equipamentos de produção e sala para a gravação do programa.(1)

Gostaria assim de registrar meu profundo pesar e protesto pela perda de mais um meio para a tão necessária popularização das ciências. No momento em que um presidiário**, acompanhando as transmissões, inspira-se em retomar os estudos para ingressar no ensino superior, não há como negarmos o caráter transformador (e até revolucionário) da iniciativa do Prof. Dr. Rubens Pazza.

Queria instar a toda a comunidade do câmpus do Rio Paranaíba a rever essa decisão e também colocar-me a disposição para tentar encontrar uma solução e a colaborar para a viabilidade da continuidade do projeto Rock com Ciência.

Cordialmente,

Roberto Takata

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*Upideite(20/dez/2012): Rubens Pazza informa que a diretoria do câmpus de Rio Paranaíba está solidária.
**Upideite(20/dez/2012): Rubens Pazza corrige, era funcionário de um presídio, não presidiário - não, o feito não é menor (em certo sentido, até maior, já que tem menos tempo livre para estudar).
Upideite(17/jun/2013): O Rock com Ciência está de volta!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O Brasil precisa de um apagão científico como o do IINN-ELS

Antes de mais nada, dois avisos necessários: respeito o trabalho do jornalista Herton Escobar, a quem não conheço pessoalmente (só assisti a uma palestra dele em um evento sobre Origem da Vida na USP e acompanho seus textos no Estadão e ocasionalmente comento suas postagens no blogue Imagine Só!) e respeito o trabalho do Prof. Dr. Miguel Nicolelis, a quem também não conheço pessoalmente (só assisti a uma palestra dele no lançamento de Muito Além de Nosso Eu em Belo Horizonte e converso por meio do twitter).

O Estadão publicou uma matéria a respeito da produção científica do Instituto Internacional de Neurociências de Natal - Edmond e Lily Safra - IINN-ELS após a saída de pesquisadores em meados de 2011 por uma série de divergências. Um ano e meio depois ainda há disputa entre o que podemos chamar de dissidentes e a equipe de Nicolelis, por exemplo, em relação a alguns equipamentos.

Mas, palavras da reportagem do jornal paulista: "Após saída de boa parte da equipe, há 18 meses, IINN nada produziu, mas neurocientista continua recebendo volumosas verbas do governo." e "Desde então, o IINN não publicou nenhum trabalho científico novo." Para o Estadão, isso seria o "apagão científico".

Em resposta, Nicolelis divulgou no sítio web do IINN-ELS lista dos artigos publicados entre 2011 e 2012.

O Estadão voltou à carga, dizendo que os artigos são referentes aos trabalhos pré-racha.

Bem ,o fato é que o IINN-ELS *publicou* artigo novo. Sim, são referentes a trabalhos pré-racha. Porém, o que era de se esperar? Há um lapso de tempo provocado pelo processo de submissão e análise de manuscritos até a publicação - só entre a recepção e aceite, em uma Nature, o tempo médio é de cerca de 200 dias, mas pode passar de 20 meses para outras publicações.

Considere então o cenário: há um racha, chegam novos integrantes, que começam a fazer seus trabalhos, obtêm seus resultados, preparam seus manuscritos, submetem, fazem as correções e finalmente é publicado (isso sem contar eventuais rejeições dos manuscritos). Não é mesmo de se esperar que trabalhos iniciados pós-racha sejam publicados em revistas indexadas antes de 2012 - devem começar a ser publicados a partir de 2013.

Assim, o melhor indicador da produção pós-racha são os resumos em congressos, são 16 no período: 10 em congressos internacionais, 6 em nacionais. Isso em 18 meses para uma equipa de 6 pesquisadores e 3 pós-graduandos: 1,18 resumo por integrante-ano.

Sério, isso é apagão onde? Bom seria se tivéssemos esse índice de produtividade em boa parte dos laboratórios e institutos de ciências - públicos ou privados.

Só posso expressar minha perplexidade com a má vontade do Estadão (aumentada justamente pelo meu respeito ao trabalho de Herton Escobar). Ok, o Dr. Nicolelis não quis responder às perguntas feitas e para algumas seria muito interessante que houvesse uma resposta (por exemplo, a Raytheon está bloqueando a publicação dos dados sobre pernas robóticas controladas a distância com ondas cerebrais de uma macaca na esteira? - isso tem implicações bastante sérias); no entanto, não é dizendo mentiras como "Nicolelis usa trabalhos antigos para mostrar nova produção de instituto" que se vai resolver a questão.

Upideite(19/dez/2012): Profa. Dra. Ângela Paiva, reitora da UFRN, fala sobre o rompimento entre os professores da universidade e a equipe de Nicolelis.
Upideite(19/dez/2012): Vale muito a pena ler também o texto de Bernardo Esteves para a Revista Piauí de um ano atrás sobre a "mitose" dos grupos e os planos de Nicolelis.
Upideite(21/dez/2012): Herton Escobar responde a algumas questões que fiz sobre o desenvolvimento da reportagem.
Upideite(14/fev/2013): Herton Escobar volta à carga. Segundo o jornalista, o recente trabalho sobre processamento pelo córtex tátil de ratos de sinais infravermelhos captados por sensores artificiais não teria sido produzido em Natal, a despeito da filiação dos autores indicada no artigo. Nicolelis responde que daqui a duas semanas sairá artigo na Nature com resultados de trabalhos em Duke e em Natal.
Upideite(14/fev/2013) Segundo Miguel Nicolelis, essas acusações levaram à perda de doação de R$ 300 mil ao programa de pré-natal de alto risco.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Mais fraude na USP?

Recebi a mensagem abaixo:

"Só queria alertar para denúncia de fraude em lab da USP, irregularidades e manipulação de imagens em cerca de 8 artigos de um mesmo grupo. http://www.science-fraud.org/?tag=curi"

Uma série de postagens do blogue Science Fraud mostra que a mesma imagem foi usada em diferentes painéis do mesmo artigo, representando condições distintas, em pelo menos duas ocasiões diferentes.

No comentário de uma das postagens, o primeiro autor de dois dos artigos analisados respondeu que as imagens são similares porque, embora fossem réplicas independentes, os controles dos experimentos foram conduzidos em condições similares. O autor da postagem treplicou dizendo que mesmo que as condições fossem idênticas, as imagens não poderiam ser idênticas por causa das flutuações aleatórias.

De nodonovo, não farei nenhuma acusação antes de uma investigação profunda. Mas que a resposta dada pelo Dr. Rafael Herling Lambertucci para a similaridade (identidade) das imagens está estranha, está.

Não tenho acesso agora aos artigos completos. Mais tarde tentarei colher a versão dos autores*.

Upideite(05/jan/2013): O sítio web que fez a denúncia, 'Science Fraud', provisoriamente removeu todo o conteúdo publicado após receber notificação extrajudicial. O blogue 'Retraction Watch' diz que a notificação partiu de advogados de um dos autores dos artigos referidos acima. Um dos artigos, publicado em 2007 no Journal of Lipid Research, foi cancelado ('retracted'). Segundo apurou Herton Escobar, o cancelamento deu-se a pedido de um dos autores, Prof. Dr. Rui Curi, diretor do ICB/USP.

*Upideite(05/jan/2013): Enviei a Curi pedindo entrevista, mas não consegui nenhuma resposta.

Upideite(05/jan/2013): Reinaldo José Lopes, na Folha de São Paulo, traz a versão de Curi sobre o concelamento do artigo: teria havido erro de boa fé em relação às imagens (trocadas e repetidas, erro que teria ocorrido já na tese de doutoramento de um dos autores do artigo). Traz também mais detalhes sobre a desativação e futuro do 'Science Fraud.'

Upideite(07/jan/2013): Herton Escobar, no Estadão, informa que a reitoria da USP irá investigar o caso. Um dos autores do estudo cancelado, Sandro Hirabara, diz que houve problemas na edição das figuras, mas que não foi intencional.

Upideite(07/jan/2013):  Leandro Tessler, no Cultura Científica, e Marcelo Hermes, no Ciência Brasil, comentam o caso.

Upideite(08/jan/2013): O CNPq também irá investigar o caso.

Upideite(09/jan/2013): Herton Escobar publica versão em inglês de declaração do Dr. Paul S. Brookes, autor do blogue Science Fraud, com planos para criar um serviço de revisão anônima pós-publicação.

Upideite(16/jan/2012): Roberto Berlinck, no Ciência em Sociedade, analisa a questão das más oondutas em pesquisa científicas e as causas atribuídas.

Upideite(23/jan/2013): O Retraction Watch informa que Dr. Curi fez uma correção em um dos artigos criticados pelo Science Fraud. (via @besteves)

Upideite(30/abr/2013): Herton Escobar comenta mais um cancelamento de artigo de Dr. Curi - anunciado pelo Retraction Watch.

Upideite(07/jun/2013): O Retraction Watch informa mais uma correção publicada. (via @besteves)

Upideite(07/jun/2013): Herton Escobar informa que as comissões da USP e do CNPq para averiguar a conduta de Dr. Curi ainda não terminaram seus trabalhos.

Upideite(03/ago/2013): O CNPq inocentou o Dr. Curi das acusações de fraude.

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