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segunda-feira, 24 de março de 2014

Cosmos: Uma Odisseia Midiática

Cosmos foi ao ar pela primeira vez em 1980 pela rede pública educativa americana PBS. Os treze episódios foram apresentados por Carl Sagan e se tornaram um grande sucesso de público - ao menos dentro dos parâmetros de um TV educativa. Entre meus muitos defeitos morais está o fato de jamais de ter assistido à série completa - nem em suas reprises, nem em DVD.

O primeiro episódio de Cosmos: A Spacetime Odyssey (que a NatGeo Brasil resolveu chamar de Cosmos: Uma Odisseia no Espaço), uma atualização do clássico bancada por Seth MacFarlane como produtor e tendo Neil deGrasse Tyson como apresentador, foi ao ar dia 9 de março último pela rede privada Fox (um canal aberto nos EUA). A audiência estimada foi de 8,5 milhões de telespectadores (entre o canal Fox e outras 10 redes do mesmo grupo como National Geographic e FX), o que coloca como a 3a. atração televisiva mais vista no horário nobre. Parece promissor como um programa de divulgação de ciências, porém a rede Fox investiu pesado em sua produção e divulgação (os valores não foram divulgados). Se será o suficiente para animar os executivos e os patrocinadores, não sei dizer - apenas posso torcer para que seja e que a audiência aumente no decorrer dos episódios.

A pretensão de deGrasse é passar uma "perspectiva cósmica" aos espectadores: visualizarmos nosso lugar no Universo - vivemos ao redor de uma estrela dentre bilhões de uma galáxia dentre bilhões, e partilhamos nossas origens com cada ser desta Terra e com os corpos deste sistema solar, que há uma história profunda de bilhões de anos pregressos em que a matéria passou por várias transformações desde o início de nosso Universo visível.

A perspectiva dos executivos, no entanto, certamente é bem mais paroquial - no tempo e no espaço. Prestígio, ok. Entreter e informar os espectadores também. Porém o importante é haver retorno financeiro. Vendas de espaço publicitário e de produtos associados: blu-rays, direitos de transmissão em outros países (a Globo comprará os direitos para retalhar a série no Fantástico?). Até por isso não incentivo a pirataria sob qualquer desculpa - é fácil encontrar um torrent com a versão em alta definição, mas se não tem como assistir em seu pacote de TV por assinatura, espere pelo lançamento em DVD ou blu-ray: valerá a espera e valerá cada centavo. Não é para dar lucro aos donos da Fox ou enriquecer ainda mais Seth MacFarlane - quer dizer, é, mas não é esse o objetivo final. O que precisamos é demonstrar que investir em divulgação científica de qualidade (e não aquelas de produções sobre monstros, assombrações e alienígenas) compensa.

Um fracasso financeiro de Cosmos redundará em resistência das empresas de entretenimento em apostar no filão. Um sucesso retumbante certamente abrirá as portas para novos empreendimentos do gênero.

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No Brasil, por enquanto, é transmitido pelos canais Fox (incluindo Fox Sports, FX e NatGeo), que só estão disponíveis por assinatura. A diferença de tempo é relativamente pequena: enquanto nos EUA os episódios são exibidos aos domingos, por cá são às quintas. Por que decidiram passar apenas em definição normal e não em alta definição é um mistério (o primeiro episódio passou em HD nos canais especiais da Fox e NatGeo, mas o segundo episódio foi exibido apenas em SD).

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Abaixo uma relação de postagens sobre o novo Cosmos em outros blogues:
Upideite(11/abr/2014): Evolução da audiência da série Cosmos desde a estreia na TV FOX americana
Figura 1. Evolução da audiência ao vivo da série Cosmos (FOX) desde a estreia (não inclui visualizações posteriores por DVR e reprises). Fonte: Nielsen (via Zap2it)

segunda-feira, 17 de março de 2014

interCiência: revelando o (não-)segredo

Em janeiro do ano passado, o Scienceblogs Brasil organizou o interCiência e o GR tomou parte e recebeu um texto com curiosidades a respeito do número 42.

Vários participantes já revelaram quais textos eram seus, outros ainda não. Reproduzo abaixo a minha contribuição - um segredo de polichinelo.

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Um dos critérios da concessão de prêmios Nobel é que o laureado esteja vivo (desde 1974, premiação póstuma só pode ocorrer se a morte do ganhador sobrevier após o anúncio dos vencedores; e, antes, só se a morte ocorresse depois da escolha [1]). Isso evita que pesquisadores vivos sejam preteridos por grandes nomes de um passado mais remoto e que a morte de um cientista influa em sua escolha (como uma espécie de homenagem in memoriam); mas, como também a tendência é de os prêmios serem concedidos por realizações já muito bem estabelecidas (coisa que pode levar muitas vezes décadas), abre espaço para algumas injustiças: indivíduos com contribuições relevantes deixam de ser homenageados porque decidiram expirar antes.
Um dos casos de grande injustiça, a meu ver, é em relação ao físico britânico John Stewart Bell. O breve relato biográfico a seguir é copiado descaradamentebaseado em texto de Andrew Whitaker [2], a menos onde indicado em contrário.
Bell nasceu a 28 de julho de 1928 em Belfastat, capital da Irlanda do Norte. Em 1945, ingressou no Queen’s Belfast University, graduando-se com louvor em Física Experimental (1948) e em Física Matemática (1949). Ainda como estudante de graduação, discutia com seus professores mostrando insatisfação com a Física Quântica e sua interpretação de modo acalorado e até agressivo.
Ao se graduar, passou a trabalhar no UK Atomic Research Establishment em Harwell, Inglaterra, sendo posteriormente realocado para o grupo de projeto de aceleradores em Malvern, também na Inglaterra – desenvolvendo modos de traçar a trajetória de partículas carregadas.
Em 1951, em ano sabático, no laboratório do físico Rudolf Peierls na Birmingham University, Bell desenvolveu seu trabalho com o teorema CPT (uma teoria quântica de campo canônica – basicamente sem considerar ações imediatas de longa distância e que trabalhe com transformações do espaço-tempo de acordo com a teoria da relatividade de Einstein – é invariante sob operações CPT [3]). Os físicos alemães Gerhard Lüders e Wolfgang Pauli, porém, publicaram seus achados um pouco antes de Bell, de modo que o britânico não tem levado quase nenhum crédito pela descoberta.
Casou-se com a física Mary Ross em 1954. Haviam se conhecido em Malvern e manteriam uma intensa parceria – afetiva e profissional – por toda a vida, publicando, inclusive, alguns trabalhos conjuntos.
Obteve o doutorado em 1956 e, em 1960, mudou-se com a esposa para o CERN. Algumas fontes [2] dizem que a mudança ocorreu pela alteração da linha de pesquisa em física teórica para aplicada em Harwell; outras, que se deu pelo redirecionamento dos esforços britânicos na pesquisa experimental com física de partículas para o CERN [4]. De todo modo, Bell passaria o resto de sua vida trabalhando no CERN.
Seus principais trabalhos abordando a questão das variáveis ocultas exposta no chamado paradoxo EPR (de Einstein, Podolsky e Rosen, os autores do artigo original que apresentava um questionamento sobre a completude da física quântica), juntamente com crítica ao argumento do matemático von Neumann contra a existência de variáveis ocultas foram desenvolvidos em 1964 (mas publicado só em 1966).
Em 1969, juntamente com o físico polonês naturalizado americano Roman Jackiw e com contribuição de Stephen Adler, físico americano, resolveram um problema na teoria quântica de campos. Pela teoria, um píon neutro não deveria decair em dois fótons, mas era exatamente o que ocorria na prática. O modelo algébrico padrão utilizado continha uma falha e quando procedeu-se a quantização (em vez de soluções contínuas), obteve-se a quebra de simetria no modelo, o que explicava o decaimento do píon. Isso é conhecido como anomalia ABJ ou anomalia quiral.
Foi eleito membro da Royal Society em 1972. Em 1988 recebeu a Medalha Dirac do Physics Institute [5], em 1989 foi agraciado com a Medalha Hughes da Royal Society [6] e com o Prêmio Dannie Heinemann de Física Matemática pela American Physics Society [7].
Em 1990, Bell faleceu em decorrência de um derrame cerebral.
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O teorema CPT e a anomalia ABJ já dão mostras do papel importantíssimo de Bell na física teórica e, em particular, na física quântica. Mas Bell foi fundamental com o resultado de seu trabalho de 1964. A partir dele derivaram-se as desigualdades (ou inequações) de Bell. Essas desigualdades puderam ser experimentalmente testadas e os resultados contradisseram as esperanças de Einstein com seu paradoxo EPR (e do próprio Bell, que acreditava nas variáveis ocultas e no realismo local).
Para tentar entendermos melhor a genialidade das inequações de Bell, precisamos entender a questão do realismo local. Até o desenvolvimento da física quântica nas primeiras décadas do século 20, a visão que predominava era a do determinismo. Esse determinismo era ilustrado pelo demônio de Laplace: uma inteligência a quem fosse dado saber o estado de todas as partículas do universo em um determinado instante, poderia simplesmente aplicar as leis da mecânica e conhecer o estado de cada partícula em qualquer outro momento futuro ou passado [8]. Heisenberg mudaria o quadro com seu princípio da incerteza (ou indeterminação).
Duas grandezas conjugadas, como velocidade e momento, não poderiam ter seus valores conhecidos com grau infinito de precisão ao mesmo tempo: quanto mais precisa a determinação do valor de uma das grandezas, menor a precisão do valor de outra. Heisenberg ilustrou com um experimento mental para a observação de um elétron ao microscópio. Para determinar a posição do elétron, seria preciso lançar fótons sobre ele e verificar o espalhamento (difração). Quanto menor o comprimento de onda, menor o espalhamento e maior a precisão da posição do elétron. Porém, quanto menor o comprimento de onda, maior a energia dos fótons e maior a transferência de momento ao elétron, tornando mais imprecisa a determinação da velocidade do elétron. Quanto menos energético o elétron, menos interferência no momento e mais precisa a determinação da velocidade do elétron. Porém o espalhamento é maior e a precisão da posição é menor. [9]
Na interpretação radical, para a época, da Escola de Copenhagen, isso significaria que, antes da observação, uma partícula não teria um estado definido: ela não estaria na posição x, y ou z. Ela estaria em um estado de sobreposição, em que a partícula estaria ao mesmo tempo na posição x, y e z. Uma função de onda (uma expressão matemática que descreve uma onda) indicaria a probabilidade de a partícula estar na posição x, y ou z depois da observação.
Albert Einstein não aceitava essa interpretação. Para ele (e boa parte dos físicos de então), a partícula tinha uma posição definida antes mesmo da observação. Apenas não saberíamos qual era. É o que os físicos chamam de interpretação realista – qualquer sistema tem um estado bem definido independentemente de observação. No artigo que escreveria com o físico russo Eric Podolsky e com o físico americano e israelense Nathan Rose, é proposto o seguinte experimento mental: dois sistemas (p.e. partículas) são colocados em contato e deixados interagir e se afastarem em linha reta. Princípios físicos bem estabelecidos (e aceitos na física quântica), garantiam a conservação de certas grandezas, como o momento de um sistema. Assim, sendo duas partículas de mesma natureza, teriam a mesma massa, ao se afastarem entre si, partindo da situação de repouso na interação inicial, a velocidade de uma seria exatamente igual a de outra, mas em sentidos opostos – conservando o momento inicial (qual seja, zero). Partindo do mesmo ponto, a posição de uma seriaestaria a uma mesma distância do ponto inicial do que a da posição de outra. Assim, quando suficientemente afastadoas, se medíssemos a posição de uma, imediatamente saberíamos a posição de outra; e, medindo a velocidade da outra, saberíamos a velocidade de uma. Segundo os autores, como a velocidade da luz é finita e nenhum sinal pode ter velocidade maior – isto é, não haveria nenhum efeito imediato à distância (o princípio da localidade – qualquer evento só pode ser afetado por outro evento que esteja nas imediações, não há uma ação imediata à distância); não haveria tempo de qualquer medição na posição na primeira partícula alterar a velocidade na segunda partícula e vice-versa. Isso permitiria que se conhecessem com precisão tanto a posição de ambas as partículas quanto suas velocidades (e, portanto, momento). Em não havendo possibilidade de um sinal superluminal (com velocidade acima da da luz) ir de um sistema ao outro, os valores das grandezas só poderiam estar definidos desde o começo. [10] Ou será que não?
Os seguidores da interpretação de Copenhagen mantinham que os valores não estavam predeterminados. Bell, que defendia a posição de Einstein, então bolou um modo de verificar a diferença entre as duas interpretações.
Consideremos três parâmetros A, B e C. Digamos, A – é loiro; B – tem menos de 1,60m de altura; C – é do sexo masculino. Em qualquer sala de aula, há um certo número (igual ou maior do que zero) de alunos que são loiros e têm 1,60m ou mais de altura N(A~B); um certo número que são loiros e do sexo feminino N(A~C) e que têm menos de 1,60m e são do sexo feminino N(B~C). É fácil ver que:
N(A~B) + N(B~C) ≥ N(A~C) [ineq. 1]
Se todos que são B são também C, então o número de alunos que são A, mas não são B, é igual ao número de alunos que são A, mas não são C (e, naturalmente, o número de alunos que são B, mas não são C, é igual a zero). Se nenhum que é B é C; o número de alunos que são A, mas não B, é igual ao de alunos que são A e C; o número de alunos que são B, mas não C, é igual ao número de alunos que são B; e o número de alunos que são A, mas não C, é igual ao número de alunos que são A e B. O número de alunos que são A e B, no máximo, é igual ao número de alunos que são B (caso todos os que são A sejam também B). Então, qualquer situação intermediária também obedece à inequação 1.
Isso vale para quaisquer conjuntos de variáveis A, B e C, desde que sejam variáveis clássicas: que obedeçam aos princípios do realismo e da localidade – o realismo local.
Se os estados das partículas, como elétrons, são definidos independentemente de observação, então teríamos a estatística das observações de parâmetros A, B e C que obedecem à inequação.
Obviamente não faz sentido falar em elétrons garotos ou elétrons loiros (embora certamente todos sejam menores do que 1,60m). Uma característica quântica do elétron que se pode medir é o spin (grosso modo correspondente ao momento angular). Se um par de elétrons é gerado a partir de um processo em que se possa aplicar os princípios de conservação (digamos decaimento de uma partícula com spin 0, como um fóton), então teríamos um determinado número de elétrons com spin a 0°, 45° e 90° em uma dada direção para a direita ou para a esquerda (cuja soma ao fim fosse de 0). Sendo A = 0° direita; B = 45°direita e C = 90° direita:
N(0° direita e 45° esquerda) + N(45° direita e 90° esquerda) ≥ N(0° direita e 90° esquerda) [ineq. 2]
(Não há nada de particularmente especial nesses valores de ângulos para o spin, poderiam ser outros.)
Em 1982, equipe liderada pelo físico francês Alain Aspect colocou o teorema de Bell à prova. Usando fótons no lugar de elétrons e medindo ângulo de polarização no lugar de spin por razões técnicas. A inequação de Bell foi violada [11a, b]. A esperança de Einstein (e de Bell) em que variáveis ocultas locais salvariam o realismo local estava abalada.
Alguns modelos abandonam a localidade para tentar salvar o realismo. Mas alguns resultados relativamente recentes descartam um certo grupo de teorias de realismo com variáveis ocultas não-locais [12].
O trabalho de Bell abriu caminho para uma linha de investigação que permitiu avançar sobre o paradoxo EPR e colocar a estranha (por anti-intuitiva) interpretação de Copenhagen do estranho (por além de nossa experiência cotidiana) mundo quântico em bases experimentais bem sólidas. As implicações disso na visão de mundo que podemos ter é alvo de intenso debate entre epistemologistas [13]. Mas podemos dizer com segurança que mudou o mundo (ao menos o modo como o enxergamos) para sempre. E a Academia Sueca perdeu uma grande oportunidade de reconhecer tal fato.
[Este texto é parte da primeira rodada do InterCiência, o intercâmbio de divulgação científica. Saiba mais e participe em: http://scienceblogs.com.br/raiox/2013/01/interciencia/]
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O fardo de receber o texto acima coube ao Caderno de Laboratório.

O método de análise de estrutura de texto acabou acertando minha contribuição. Os parâmetros não foram ajustados usando a informação que eu sabia com certeza.

sábado, 8 de março de 2014

"Mas como tantas?"

Em lembrança ao Dia Internacional da Mulher - data que lembra as lutas das mulheres na conquista da igualdade de direitos - republico um texto meu publicado em janeiro na DiCYT sobre as dificuldades enfrentadas pelas cientistas no meio acadêmico.

Parabéns a todas as mulheres - cientistas ou não - e meus agradecimentos especiais às entrevistadas, que tiveram infinita paciência comigo. (Mais abaixo uma seleção de links de material relacionado.)

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“Mas como tantas?”

A respeito da participação das mulheres na produção científica
Roberto Takata/DICYT A Académie des science de Paris, uma das mais antigas agremiações científicas em funcionamento contínuo, foi fundada em 1666 pelo rei Luís 14. Ela assistiu a uma revolução que derrubou a monarquia, à ascensão e queda do império napoleônico, a duas guerras mundiais, o sufrágio feminino, o maio de 1968, e à descolonização da África e à guerra da independência da Argélia, para, só em 1979 admitir a primeira mulher em seu quadro associativo. Nem os dois nobéis científicos de Marie Curie garantiram-lhe espaço ali. Em 1910, sua candidatura foi rejeitada por dois votos após calorosos debates (em uma votação subsequente a respeito de se mulheres poderiam ser aceitas, o placar foi de 90 contra a 52 a favor - o que talvez diga algo a respeito tanto da enorme contribuição científica de Marie Curie, ainda que insuficiente para dobrar os homens da academia de Paris, quanto ao fato de ela mal ser vista como uma mulher pelos mesmos homens). Em 2008, dos 236 membros da instituição, 18 (7,6%) eram mulheres.

A situação não é muito diferente em outras academias.

A National Academy of Sciences, dos EUA, foi fundada em 1863 e o primeiro membro feminino foi admitido em 1925. Dos 2.038 membros ativos em 2012, 216 (10,6%) são mulheres. Na Academia Brasileira de Ciências, fundada em 1916, elegeu a primeira mulher para seu quadro em 1952. Atualmente 10,4% de seus associados são acadêmicas (50 mulheres em 482 membros). Ainda mais antiga do que a academia francesa, a britânica Royal Society, fundada em 1660, aceitou entre seus pares uma mulher pela primeira vez em 1945, depois de uma alteração em seus estatutos no ano anterior. Mas hoje apenas 99 (6,8%) de seus 1.450 membros são do sexo feminino.

“A academia não foi estruturada prevendo a presença feminina”, observa Mariana Feiteiro Cavalari, doutora em Educação Matemátia pela Unesp, professora de História da Matemática na Federal de Itajubá (UNIFEI) e autora de estudo sobre a presença de mulheres na docência de matemática nas universidades estaduais paulistas (2010, Rev. Bras. Hist. Matem. v. 10, n.19, pp: 89-102).

Mas o fechamento à participação feminina não estava claro entre os séculos 17 e 18, diz Londa Schiebinger em seu “Has Feminism Changed Science?” (1999, Harvard University Press, 252 pp.). Nesse período poucas pessoas eram cientistas profissionais de ocupação em tempo integral. Boa parte da ciência era feita por amadores em laboratórios e observatórios improvisados em suas casas. Muitas esposas atuavam como assistentes de seus maridos e várias conduziam suas próprias pesquisas e observações. Em 1678, a veneziana Elena Cornaro Piscopia foi a primeira mulher a se graduar em uma universidade europeia; em 1732, Laura Bassi, seria a primeira a obter uma cátedra professoral universitária no Velho Continente, na Universidade de Bolonha. As universidades, no entanto, nunca chegaram a ser um ambiente acolhedor à presença feminina. Mesmo assim, como os trabalhos científicos não exigiam uma instrução formal, a maioria dos pesquisadores e das pesquisadoras atuavam por meio da instrução autodidática e por experiência prática. À medida em que surgia a ciência moderna, com o declínio do papel central das universidades e ascensão das academias científicas e em que os cientistas se profissionalizavam - com a pesquisa transferida para centros especializados - as mulheres que quisessem contribuir para a construção do conhecimento científico se viam diante de apenas duas opções: ou perseguiam a graduação nas universidades ou atuavam na esfera privada como assistentes cada vez menos visíveis de seus maridos e irmãos.

A partir de meados do século 19 o ambiente universitário e científico gradativamente passa a se abrir à presença feminina junto com a primeira onda do movimento feminista - como a das sufragistas. Uma segunda onda ocorre entre as décadas de 1960 e 1970, com questionamentos não apenas quanto ao acesso às universidades, mas também aos domínios quase exclusivos de homens em áreas como as ciências exatas. No Brasil, a participação feminina passa a crescer justamente na segunda onda, época também em que a ciência se institucionaliza com o Plano Estratégico do Desenvolvimento Nacional e com a constituição de várias universidades públicas e institutos de pesquisas. Ainda assim, hoje as mulheres ainda são uma minoria dentro do corpo docente no Ensino Superior. Na USP, em 2012, pouco mais de um terço (37,7%, 2.207 entre 5.860 professores no total) dos docentes eram mulheres.

A questão da divisão entre as esferas públicas e privadas, no entanto, parece não estar adequadamente resolvida. “Esse é um aspecto presente em várias pesquisas realizadas sobre a condição da mulher hoje inserida no mercado de trabalho, pois, quando lhe é exigido responder pelas tarefas familiares, se sente numa situação limite”, explica Nadia Regina Loureiro de Barros Lima, psicanalista, doutora em Psicologia pela Universidade do Minho, Portugal, e em Linguística pela UFAL, onde atua no Núcleo Temático de Mulher e Cidadania (NTMC/UFAL). Barros Lima completa: “Se por um lado, o trabalho é fonte de prazer e realização pessoal, por outro, propicia conflitos existenciais, diante da dificuldade de conciliar os espaços público e privado. É como se o e espaço público ocupasse um lugar de fascínio mas, ao mesmo tempo, está sempre em rivalidade com o privado, daí o sentimento de se sentirem divididas.” Fernanda Regina Casagrande Giachini Vitorino, doutora em Farmacologia pela USP, docente de Fisiologia e Farmacologia na UFMT e uma das vencedoras do Prêmio L'Oreal/ABC/Unesco “Mulheres na Ciência” 2013, concorda: “Acho que os dilemas que uma cientista mulher enfrenta são os mesmos que uma funcionária de qualquer área enfrenta. Faltam creches e horários flexíveis para as mulheres em geral, principalmente quando nos tornamos mães. O sistema foi moldado para uma realidade que não existe mais. Temos que repensá-lo de forma a incluir todos de uma maneira mais digna.”

Mas como repensar o sistema científico-acadêmico? Apenas creches e horários flexíveis bastariam? Anayansi Correa Brenes, doutora em História Social pela UFF e professora da UFMG, onde coordena o Núcleo de Estudo da Mulher e Saúde (NEMS/UFMG) crê que não: “Certamente não ter creches criará problemas, mas elas não os resolvem diante da competição. Lembro falas de cientistas de outras épocas que textualmente anunciaram ter nas empregadas domésticas a aliança para chegar onde chegaram. Cuidando da casa, filhos e maridos. Posto isso, hoje, sem esse apoio, o custo da reprodução ficou impossível. Então, certamente, mulheres que desejem galgar poder, se não contarem bom estruturas familiares, evitarão ter filhos, casamentos…”. Cavalari segue na mesma linha: “Penso que a criação de creches, por exemplo, seria uma das possibilidades, mas não a única. Aquelas iniciativas mais organizacionais, me parecem mais adequadas para tentar prover uma relação igualitária para os diferentes gêneros na academia. A questão da produtividade atrapalha o trabalho de homens e mulheres na academia, mas me parece mais cruel as mulheres.” Mas Giselda Durigan, doutora em Biologia Vegetal pela Unicamp e pesquisadora do Instituto Florestal do Estado de São Paulo, coautora de um trabalho pioneiro sobre a contribuição feminina na produção científica botânica no Brasil (2011, Hoehnea, v. 38, pp: 115-21) discorda: “Acho que os filtros que dificultam a carreira acadêmica feminina são mais culturais do que relativos à infraestrutura organizacional. Há várias alternativas de 'sucesso' feminino na vida que são socialmente reconhecidas, enquanto para os homens o sucesso profissional e um bom salário são quase que um alvo único.”

Durigan, com a graduanda em Ciências Biológicas pela Unesp, Natashi Aparecida Lima Pilon, analisou a autoria dos trabalhos submetidos aos Congressos Nacionais de Botânica da Sociedade Botânica do Brasil. A participação de trabalhos em que um ou mais dos autores eram mulheres aumentou de 51,6% em 1988 para 57,7% em 2009; mas a proporção de trabalhos em que o primeiro autor era do sexo feminino praticamente não se alterou, mantendo-se em torno de 40%. Enquanto isso, trabalhos publicados por mulheres em autoria única recuaram de pouco menos de 60% em 1988 para pouco mais de 40% em 2009. Utilizando-se de uma base de dados maior e cobrindo várias áreas científicas, Jevin D. West e colaboradores (2013, PLoS ONE, v. 8, n. 7, e66212) encontraram o mesmo padrão: aumento da participação feminina como autor, mas redução de trabalhos em que uma mulher é autora única. “Nós fechamos o nosso artigo sem explicar este resultado, que nos pareceu surpreendente, mas não imaginávamos que fosse um fenômeno mundial” - comenta Durigan. “Não saberia dizer se é bom ou ruim um cientista publicar sozinho, mas existe uma diferença importante, que possivelmente passa pelo perfil psicológico distinto entre homens e mulheres. E que deve ser levado em conta na formação de grupos de pesquisa.” - completa.

Segundo censo de 2010 na base do Diretório de Grupos de Pesquisa (DGP) do CNPq, as mulheres constituem metade do total de pesquisadores cadastrados, mas apenas 45% dos líderes de pesquisa. (Ainda que represente uma melhora substancial em relação ao quadro de 1995: 39% dos pesquisadores e 34% dos líderes.) Mulheres predominam em áreas sociais e de saúde como: Fonologia (89% dos pesquisadores são do sexo feminino), Enfermagem (87%), Serviço Social ((81%), Nutrição (81%) e Educação (67%); e estão em minoriais nas exatas: Engenharia Elétrica (13%), Naval e Oceânica (13%), Elétrica (14%), em Física (20%) e Engenharia Aeroespacial (22%). Por que essas diferenças?

Barros Lima descarta explicações puramente biológicas: “Como bem explicita [Sharon Berstch] McGrayne [em sua obra “Nobel Prize Women in Science”, 1993, NAP, 464 pp.], 'pais e professores acreditam plenamente em estatísticas desatualizadas, destinadas a mostrar as meninas como congenitamente incapazes de aprender matemática tão bem quanto os meninos'”.

Para a psicóloga o distanciamento começaria já na própria escola constituindo o “currículo oculto” (elementos fora do currículo oficial que fazem parte da aprendizagem social). Denise Bastos de Araujo, mestra em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo pela UFBA e professora da Secretaria da Educação e Cultura do Estado da Bahia, também enfatiza o papel negativo que a escola e outras instituições sociais podem exercer: “Escola, família e mídia constroem para que as meninas não assumam posição de destaque e não tenham posição de liderança”. Dá como exemplo dessa construção o filme Gravidade (2013, direção de Alfonso Cuarón, com Sandra Bullock e George Clooney): “Enquanto o artista [Clooney] decide por soltar-se da nave, mesmo sabendo que ia morrer, e faz isso com total segurança e dignidade, a protagonista [Bullock] não apenas chora sem aceitar a decisão dele, como fica desestruturada. Olha só, o fato de ela estar no espaço, presume-se que tenha tido formação e treinamento. Precisa vê-la folheando atarantada as páginas de um manual de orientações, sem saber o que fazer. Essa forma de retratar as mulheres é uma constante em filmes, livros etc.”

Mesmo superando a barreira de entrada, as mulheres ainda sofrem para continuar e progredir na academia: publicam menos, ocupam menos cargos mais altos de direção e estão menos presentes em espaços mais nobres, de mais prestígio - como nas academinas nacionais de ciência. Para Cavalari o foco na produtividade para avaliação dos cientistas é prejudicial particularmente às mulheres que são mães: “Enquanto as mulheres passaram a trabalhar fora de casa, as relações de divisão do trabalho domestico, em geral, não foram redistribuídas. Esta situação faz com que a mulher seja sobrecarregada e, isto atrapalha o seu desenvolvimento profissional em diversas áreas, e, também, na academia. Pois esta exige muito tempo de dedicação, horas de estudo, trabalho, muitas viagens (participação de eventos, bancas). Além disto, cada vez mais, a academia tem exigido dos professores a produtividade... Existe, também, a situação dos filhos, pois os anos de consolidação da carreira, acabam coincidindo com os anos aconselháveis para se ter filhos, neste sentido, as mulheres vivem um dilema. Penso que a produtividade deva ser repensada e não entendo que a as mulheres tenham que se adaptar a ela.”

“Isso é totalmente verdade” - concorda Vitorino. “Por exemplo, a avaliação da nossa produtividade como pesquisadora muitas vezes não leva em conta o período de licença maternidade. O prazo dos meus orientandos do programa de pós-graduação não levam em conta que eu me ausentei por 6 meses pra cuidar do meu bebê. Os editais de pesquisa, tampouco. Para a ciência, prazos são prazos e devem ser respeitados incondicionalmente. A minha produtividade é comparada a de um homem solteiro. Logo, quando decidimos nos casar e ter filhos, isso é quase que tomar uma medida de suicídio de produção, mesmo que de forma temporária. É o preço que pagamos por nossas escolhas.”

“No momento que uma pesquisadora se torna mãe é inevitável que sua produção científica fica prejudicada. Isso deveria ser levado em conta pelas agências de fomento à pesquisa para que os prejuízos não sejam tão grandes.” - diz Raquel Giulian, doutora em Física pela Australian National University, docente da UFRGS e outra ganhadora do Prêmio “Mulheres na Ciência” 2013.

Durigan, no entanto, tem uma visão distinta: “De novo aqui, aparecem preconceitos velados. Por que é que somente as mulheres precisam dividir o tempo entre o trabalho e a família? Por que é que o mundo mudou e as relações entre homens e mulheres dentro de casa continuam arcaicas? As mulheres precisam tratar é de reivindicar divisão equitativa de tarefas dentro de casa. O sistema atual de produtividade acadêmica é tirano porque menospreza a qualidade. Mas esta é uma outra história e não tem nada a ver com as questões de gênero.”

Fatores culturais, históricos, institucionais, de infraestrutura, metodologia da avalição, tudo isso e mais aparecem como obstáculos na caminhada da mulher em sua contribuição para as ciências em geral e para a área de exatas em particular. “Diante das dificuldades que tem de enfrentar pelo caminho na sua carreira científica, faz sentido se dizer que a questão não seria 'por que tão poucas?', mas 'como tantas?'”, conclui Barros Lima de modo provocativo citando McGrayne a respeito da desproporção entre laureadas e laureados com o Nobel.
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Publicado originalmente em "DiCYT: 'Mas como tantas?'". © 2014 Fundación 3CIN 

Veja também (a lista deve ser atualizada posteriormente):

segunda-feira, 3 de março de 2014

Como é que é? - Salmão de cativeiro faz mal à saúde?

O hoax de que o salmão de cativeiro - alimentado com astaxantina sintética - seria cancerígeno não é novo, está circulando pelo menos desde 2011, mas - qual bambolê e cubo mágico - insiste em reemergir de tempos em tempos. Agora, mais uma vez reaparece em uma postagem no facebook.

Então (novamente em autoplágio reciclagem de bits) reposto no GR o que já escrevi na rede do titio Zucko.

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Agora estão com teorias conspiratórios de que salmão de cativeiro é cancerígeno por causa de níveis elevados de astaxantina (http://liasergia.wordpress.com/2011/03/15/a-farsa-do-salmao/).

Sério, não sei de onde essa gente tira tanta desinformação.

A verdade (ao menos o que podemos considerar como verdade considerando-se os melhores dados disponíveis até o momento):

A astaxantina tem sido estudada por efeitos *protetivos* contra o câncer pelas propriedades antioxidandes:
http://www.bv.fapesp.br/pt/auxilios/3602/estudo-atividade-antioxidante-astaxantina-lipossomos/
http://openaccess.uoc.edu/webapps/o2/handle/10609/19841
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-52732007000500009&script=sci_arttext&tlng=es
-----------

Nenhum efeito adverso foi observado em ratos com consumo diário de cerca de 500 mg de astaxantinha por kg de massa corporal:
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0278691508002895
-----------

A concentração muscular de astaxantina em salmões com dieta suplementada fica em torno de 2 a 7 mg/kg.
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1365-2761.1995.tb00308.x/abstract
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A pessoa poderia comer todos os dias mais de 100 QUILOGRAMAS de salmão sem efeito tóxico da astaxantina (mas, claro, aí teria outros problemas).

Reais razões para se preocupar com salmão chileno:
1) Houve episódios de contaminação por vermes parasitas da difulobotríase (o risco é mínimo se o peixe for assado ou tiver sido congelado a 20 graus negativos por uma semana ou mais):http://www.anvisa.gov.br/divulga/imprensa/clipping/2005/maio/110505.pdf
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2) A criação de salmão pode ocasionar danos ambientais:http://www.cetmar.org/DOCUMENTACION/dyp/ImpactoChileacuicultura.pdf
http://noticias.uol.com.br/ultnot/economia/2005/12/02/ult35u44523.jhtm
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3) Parte do salmão era importado fresco. Vem por avião. O salmão fresco, além dos riscos eventuais à saúde por causa da mencionada difulobotríase, contribui sobremaneira com emissão de gases-estufa ao serem transportados por aviões. Em 2005, por causa do verme, a importação de salmão fresco foi proibida (não sei a situação atual).
http://noticias.uol.com.br/economia/ultnot/efe/2005/04/13/ult1767u38303.jhtm
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A importação de salmão chileno passou de 18 mi USD em 2001 (http://www.schualm.com.br/artigos/Chile.pdf) para uma projeção 234 mi USD em 2013 (sobre estimativa de 90 mil toneladas de importação: http://brasileconomico.ig.com.br/noticias/salmon-de-chile-prioriza-o-mercado-brasileiro_127318.html). É um comércio significativo com múltiplos desdobramentos - por um lado compete com produtores e pescadores nacionais de outros pescados, de outro, alivia a pressão sobre os recursos aquáticos brasileiros; o comércio fortalece os laços econômicos entre os países, mas também significa riscos de transporte de doenças, vetores e pragas (no produto, na embalagem, nos veículos - como nos lastros dos navios - e nas pessoas); de um lado, alivia a pressão inflacionária sobre alimentos, mas, de outro, diminui a segurança alimentar (ao aumentar a dependência nacional sobre alimentos importados); de um lado, aumenta a disponibilidade de um alimento nutricionalmente rico, mas, de outro, sem uma correta vigilância pelas autoridades, pode ser uma fonte de contaminação.

A decisão do consumidor, embora frequentemente pouco refletida, envolve todos esses fatores. Mas a astaxantina, pelo que sabemos, NÃO é um motivo para preocupações.*
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Inicio minha campanha: "Vai curtir? Vai compartilhar? Dê um bom google antes." (O "bom" é vital porque não basta jogar na busca e pegar o primeiro resultado. É preciso saber filtrar as fontes.)

*Upideite(03/mar/2014): O jornalista Rafael Garcia, da Folha de São Paulo, pelo facebook lembra da questão do PCB (bifenil policlorado), um composto que, em algumas formas, é associado à dioxina, um potente cancerígeno. O composto está presente em salmões de cativeiro no Chile, mas ainda em um nível (entre 7,8 e 25,5 ng/g de peso úmido para salmão selvagem e de cerca de 25 ng/g de peso úmido para salmão de cativeiro**) abaixo do limite máximo tolerado pela União Europeia (75 ng/g de peso úmido). A recomendação é que se limite o consumo para uma ou duas porções - de cerca de 225 g cada - por mês**. Claro que é um valor que pode variar de produtor para produtor e ao longo do tempo (pode haver, p.e., uma mudança no fornecedor de rações ou algo que mude a exposição dos peixes aos compostos), para isso é preciso que as autoridades façam uma análise constante dos produtos.

**Updieite(03/mar/2014): adido a esta data.

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