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sábado, 28 de fevereiro de 2015

I (don't) see your true colors: não é (só) sobre as cores do vestido

Com o devido aviso de que neurofisiologia visual é beeeeem longe de minha especialidade.

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Na semana passadaHá uns três dias - isto é, no neo-Ordoviciano para os padrões da internet - causou certo bochincho a foto de um vestido com a pergunta a respeito de sua cor - segundo o G1, isso teria começado com uma foto no tumblr swiked, de Caitlin McNeill Além da resposta variada para a pergunta: "branco/dourado" ou "azul/preto" e algumas variantes menos frequentes, houve também uma variação nas respostas a respeito do que causaria essa variação nas respostas.

O que me faz tentar responder à pergunta não feita de o que causa a variação nas respostas sobre o que causa variação nas respostas. (Haverá uma variação de terceira ordem nas metaexplicações?)

Uma parte da variação pode-se dever à ambiguidade da pergunta. Mas que ambiguidade pode haver em "qual a cor do vestido?". Bem, a pergunta pode significar coisas ligeira, mas significativamente distintas:

1) A despeito da impressão que você está tendo, qual é a verdadeira cor que você acha que tem o vestido *representado* na imagem?
2) A despeito da impressão que você está tendo, qual é a verdadeira cor do vestido *na* imagem?
3) Qual a sua impressão visual de cor ao visualizar esta imagem?

A pergunta 1 aparentemente tem uma resposta definitiva: é azul e preto.

A pergunta 2 também aparentemente tem uma resposta definitiva: é azul e dourado.

A pergunta 3 é a que realmente gera a diversidade de respostas e as respostas 1 e 2 têm pouco a dizer a respeito.

Mas o que faz umas pessoas terem a impressão de que o vestido - que é azul e preto, mas que tem tons azul e dourado na foto - é azul e preto e outras branco/azul claro e dourado?

Certamente não é uma questão de variante biológica da percepção de cores - como os daltonismos: as mesmas pessoas podem ver de um jeito numa hora e de outro, em outra (embora possa explicar parte da variação das respostas). Houve quem dissesse tratar-se de variação do estado emocional. Também pouco provável.

A principal explicação é a compensação de luminosidade que normalmente leva à constância de cores - no sentido inverso: uma interpretação de diferente luminosidade levaria à interpretação diferente das cores. Isso cria ilusões de óptica bem conhecidas, como na Figura 1.

Figura 1. Os quadrados A e B na verdade têm o mesmo tom de cinza. Fonte: Wikimedia Commons.

Se uma imagem é tida como estando na sombra, as tonalidades são interpretadas como sendo mais escuras do que seriam na realidade e nosso cérebro/retina faria a compensação. Se, ao contrário, a imagem é tida como estando à luz, as tonalidades são interpretadas como sendo mais claras do que o normal e nosso cérebro/retina compensa no sentido oposto. Por isso a quadrícula A na figura 1 se parece mais escura do que a quadrícula B na mesma imagem - mesmo tendo, na realidade, o mesmo tom. Ou, na versão do xkcd (Figura 2):

Figura 2. Variação da percepção das cores - os tons dos vestidos nos quadrinhos da esquerda e da direita são os mesmos. Fonte: xkcd.

Um efeito que vi menos discutido é quanto às configurações do monitor. Monitores de marcas diferentes poderão exibir as cores de modo ligeiramente distintos, além da configuração de brilho e contraste variar de um para o outro. Além disso, se eu inclino o monitor para cima ou para baixo, percebo a imagem com tonalidades mais escuras ou mais claras. A luminosidade ambiente dos interneteiros também pode afetar a percepção.

Outro fator que pode afetar é o uso de óculos e outras lentes (com a ressalva de que se trata de um levantamento online - mas, embora, a proporção real possa ser afetada, a relação dos fatores parece ser mais robusta). A luz do monitor é polarizada, lentes podem filtrar parte da luz emitida - especialmente se tiver tratamento antirreflexo -, alterando ligeiramente a tonalidade percebida.

A idade também parece afetar (valendo a mesma ressalva sobre o caso da influência do uso de lentes - trata-se da mesma enquete). Aqui há alguma disputa na literatura científica. Segundo os dados de Wuerger 2013, apesar das alterações do sistema visual periférico (olhos e nervos), não há uma variação sensível não há uma alteração na percepção das cores - haveria algum efeito compensatório nas regiões corticais. Mas, segundo Werner e Ehmer 2006, ocorre uma alteração na percepção da constância de cores com a idade que não depende da alteração no sistema visual periférico, atribuindo a mudança à modificação na dinâmica temporal dos processos neurais.

Então parece que a variação nas explicações dadas deve-se, ao menos em parte, por se tratar de um fenômeno que pode ser afetado por diversos fatores de diferentes naturezas: iluminação ambiente do sujeito, interpretação da iluminação da foto, idade do observador, uso ou não de lentes corretivas, características da tela do dispositivo (computador, tablet, smartphone...).

O que a blogosfera científica brasileira falou?
Dulcidio Braz Jr, Física na Veia: Qual é a cor do vestido?
Tatiana Nahas, Ciência na Mídia: Carona no Vestido
Scicast, Responde A.I. #01: De que cor é o vestido, afinal? (podcast)

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Oras bolas. Microesferas alienígenas como sementes panespérmicas? Short answer: Não.

Revista Galileu foi na onda do site do tabloide inglês Daily Express e publicou a matéria:
"Esfera de metal vinda do espaço expele material biológico e intriga cientistas"*

(Pausa. 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10... Inspira. Expira. Inspira. Expira...)

Nada disso teria ocorrido se o Pica Pau tivesse avisado às autoridades tivessem seguido o protocolo alfa de notícia sobre astrobiologia, já publicado anteriormente no GR, mas reproduzido abaixo.

Figura 1. Reduza 83+/-24% dos micos do noticiário de astrobiologia com este simples diagrama.

A bizarrice está resumida no... bem, resumo do "artigo" (ahem) "científico" publicado, onde mais?, no Journal of Cosmology.

"A sphere of diameter 30 microns was isolated from the stratosphere at a height of between 22–27 kilometres. It was found to be mainly composed of titanium (with smaller amounts of vanadium). Nanomanipulation and EDX analysis showed that the titanium sphere contains a carbonaceous non-granular material which we suggest is a biological protoplast. Damage to the surface of the sphere revealed a carbonaceous, filamentous material, having a 'knitted appearance', which we also suggest is biological in nature. The titanium sphere produced a distinct impact crater when it impacted the carbon sampling stub. We conclude by suggesting that this largely titanium sphere contains biological elements which impacted the sampling stub at speed as it made the journey from space to the stratosphere."
["Uma esfera de diâmetro de 30 mícrons foi isolada da estratosfera a uma altitude entre 22 e 27 quilômetros. Descobriu-se que ela é composta principalmente por titânio (com uma quantidade menor de vanádio). Nanomanipulação e análise por EDX mostraram que o titânio da esfera contém um material carbonáceo não granular que sugerimos ser um protoplasma biológico. Dano na superfície da esfera revelou um material carbonáceo, filamentoso com uma 'aparência tricotada', que também sugerimos ser de natureza biológica. A esfera de titânio produziu uma distinta cratera de impacto quando chocou-se contra o suporte de amostragem de carbono. Concluímos sugerindo que esta esfera composta principalmente de titânio contém elementos biológicos que se chocou contra o suporte de amostragem a alta velocidade enquanto fazia sua jornada do espaço para a estratosfera."]

Meodeos, liga de titânio e vanádio... só pode ser tecnologia <voz do grego louco
Tsoukalos mode on>ALIEN <voz do grego louco Tsoukalos mode off>. Não é algo que a Nasa usaria, por exemplo, nos escudos térmicos de suas naves:
"Temperatures will climb highest at the bottom of the Orion capsule, which will be pointed into the heat as it returns to Earth. The heat shield is built around a titanium skeleton and carbon-fiber skin that gives the shield its shape and provides structural support for the crew module during descent and splashdown." (Grifos meus.)
["As temperaturas irãoá subir ao máximo na parte debaixo da cápsula Orion, que estará voltada para o calor quando retornar para a Terra. O escudo de calor é construído em torno de um esqueleto de titânio com peleo de fibra de carbono que confere ao escudo sua forma e confere apoio estrutural ao módulo de tripulação durante sua descida e impacto na água."]

Ok, não é da Nasa, é da Lockheed Martin.

Liga de titânio-alumínio-vanádio como Ti-6Al-4V é usada em artefatos espaciais - (em uma das figuras do artigo, de espectrometria EDX - energy-dispersive X-ray spectroscopy - da liga, há um pico correspondente a alumínio, por algum motivo, não mencionam no texto - figura 2 desta postagem) - e, em sua composição, há traços de carbono e nitrogênio que os autores encontraram.

Figura 2. Aparência da microesfera metálica (painel A) e composição da liga metálica (painel B). O X é uma protuberância de material de composição distinta (rica em carbono). Fonte: Wainwright et al. 2014.

Não afirmo que seja exatamente de um escudo de calor, mas o que acharam pode perfeitamente serem restos desprendidos de um artefato que mandamos para o espaço. O balão utilizado no "experimento" dos autores foi lançado no dia 31 de julho de 2013.

Nessa data, o cargueiro espacial Progress M-023M fez uma reentrada destrutiva na atmosfera depois de levar suprimentos para a EEI. Outro objeto espacial a fazer reentrada no mesmo dia foi o corpo do foguete Delta 2. (Não sei se esses objetos especificamente contêm partes com titânio e glúten fibras de carbono, mas vários outros objetos espaciais reentram todo dia na atmosfera.)

Grifei também "fibras de carbono" porque os autores do "artigo" "científico" falaram em: "carbonaceous, filamentous material, having a 'knitted appearance', which we also suggest is biological in nature".

No texto: "The particles of terrestrial origin also do not possess the 'knitted' layer of the LSO and any carbon they might contain would also likely be in the form of solid, granular soot particles which is not consistent with the organic ooze released from the LSO."["As partículas de origem terrestre também não têm a camada 'tricotada' do LSO - large spherical object, objeto esférico grande - e todo o carbono que elas contenham provavelmente estaria na forma de partículas de fuligem sólidas e granulares o que não é consistente com o limo orgânico liberado pelo LSO"] (Veja figura 3 desta postagem.)

Figura 3. Aparência do simbionte alienígena do uniforme negro do Homem-Aranha do material rico em carbono associado às esferas metálicas. Fonte: Wainwright et al. 2014

Aparentemente os autores acham que nanofibra de carbono é material extraterrestre.

Sério, os autores nem tentaram. O pessoal da Galileu também não. Não dá pra desculpar muito os jornalistas agora - não é a primeira vez que o Journal of Cosmology apronta: e, além dos impostos e da morte, podemos ter certeza também de que não será a última.

Via @OLucasConrado tw e Lúcia Eneida fb.

Upideite (22/fev/2015): Gilmar Lopes também comenta a nãotícia no e-farsas. Eu só discordo dos exemplos que ele traz de outros casos de esferas de titânio. Na verdade são esférulas de grafita de corpos celestes - como asteroides - com *traços* de titânio na forma de cristais de carbeto de titânio.

Upideite(25/fev/2015): Vou cravar a natureza dessa microesfera de titânio: é uma esfera de pó de liga de titânio Ti-6Al-4V grau 23: que apresenta diâmetros entre 17,36 e 44,31 µm. Esse pó é usado, por exemplo, para impressão 3D de objetos metálicos - geralmente com fusão (sinterização) com laser. O processo de sinterização leva a uma alteração da microestrutura e pode produzir poros. A microestrutura após a sinterização por tratamento térmico é muito similar à encontrada pelos autores (figuras 4a e 4b desta postagem).

a)
b)
Figura 4. a) Textura da esfera analisada por Wainwright et al. 2014. b) Alteração da textura por efeito da sinterização. Fonte: Reig et al. 2013.

A metalurgia de pó tem sido usada, por exemplo, para produzir compósitos de matriz de titânio reforçada por fibras de carbono.

Cuidado! Semente alien! Fonte: CNET.
Ou seja, a microesfera provavelmente é tão alienígena quanto o Banguela que os cientistas imprimiram para dar para uma garotinha que pediu a eles um dragão.

*Upideite(25/fev/2015): Em uma atitude louvável a Galileu acrescentou uma atualização de cautela na matéria.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Um conto de Carnaval: O dia em que Richard Feynman desfilou em uma "escola de samba" no Rio

Not Richard Feinman (sic). Crédito: @oatila.
Depois de uma rápida passagem em 1949, Richard Feynman retornou o Brasil lecionando eletromagnetismo por 10 meses no recém-fundado Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro.

Conversando com um funcionário da embaixada dos Estados Unidos, comentou que, em sua primeira estada no Brasil, tomou contato com o samba. O homem disse que tinha um grupo que se reunia em seu apartamento para ensaiar e o convidou.

No Carnaval, Feynman saiu nos "Farsantes de Copacabana" tocando um instrumento hoje raramente utilizado: a frigideira. Em suas memórias, "O Senhor Está Brincando, Sr. Feynman?" (ou “Deve ser Brincadeira, Sr. Feynman!”, na edição da Editora da UnB), o cientista chama o bloco de "escola de samba".

Os Arquivos da Caltech têm uma fotografia que registra Feynman fantasiado no Carnaval carioca em 1952 (não sei se ele estava fantasiado em diabão).

Não seria o último festejo por estas paragens. Em edição de 24/fev/1966, o Jornal do Brasil, registra, entre outros flagrantes da comemoração de Momo, "Feygman: [sic] Premio Nobel de Física, entre pernas e garrafas" (página 2, Caderno B) - tocando agora, não uma frigideira, mas um tamborim. (Veja mais detalhes dessa passagem no Nightfall in Magrathea de Alan Mussoi.)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Entrevista com uma educadora - Gladys Beatriz Barreyro

A Profa. Dra. Gladys Beatriz Barreyro é professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da USP. Em razão da reportagem sobre rankings universitário na edição da revista ComCiência sobre Avaliações de Ensino, ela gentilmente concedeu uma entrevista por email sobre o tema. Abaixo reproduzo a entrevista no íntegra - já que nem tudo coube no texto da reportagem.

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1) Um comitê norueguês classificou os rankings como inúteis em função da subjetividade dos pesos atribuídos aos itens aferidos e falta de transparência da metodologia. A senhora concorda com essas críticas? É possível se corrigir essas limitações?

GB. Os rankings internacionais têm a função de hierarquizar universidades de pesquisa. Eles recebem muitas críticas pela metodologia, que às vezes muda de edição a edição e que privilegia a pesquisa, não considera ou minimiza o ensino, ignoram ciências sociais ou humanidades, consideram apenas as publicações em inglês ou a quantidade de prêmios Nobel, ou seja, simplificam as atividades das instituições de educação superior e as padronizam.

Concordo com essas críticas.

O “sucesso” deles é porque simplificam os resultados e, num mundo competitivo, comparam as instituições e isso facilita a divulgação, a compreensão e tem apelo de público e de mídia.
Quanto a corrigir as limitações, sugiro que pergunte aos adoradores e defensores dos rankings!

2) Quais as consequências - positivas ou negativas - de se moldar políticas públicas para o ensino superior moldados em rankings universitários?

GB. Se são utilizados os rankings como único elemento, dadas suas limitações e falhas, teremos dados falhos no diagnóstico ao momento de elaborar uma políticas pública.

Indo ao caso brasileiro, como não há rankings oficiais, se as políticas se basearam em resultados de rankings internacionais elas teriam todos esses problemas, mas o fato de ignorar as prioridades nacionais para a educação superior, estariam baseados apenas em critérios externos. Além disso, no Brasil existem distintos tipos de instituições não apenas as universidades para as quais a indissociabilidade pesquisa-ensino-extensão é um requisito.

A questão da equidade no acesso à educação superior tem sido uma das prioridades de política na última década e ela não foi produto da influência de nenhum ranking internacional, pois não é um quesito considerado neles, porém tem sido uma prioridade nacional.

Além disso, não deve ser esquecida a autonomia das universidades quando se pensa em políticas públicas para a educação superior.

3) Com frequência quando se estabelecem classificações e medidas de avaliação, há tentativas de burla do sistema: como contratação de mestres e doutores em época de avaliação e demissão após o período. Considera que esses rankings são robustos contra a estratégia do "gaming" dos parâmetros e das burlas?

GB. Os rankings, pelos menos os internacionais mais “famosos”, com maior divulgação, priorizam pesquisa, geralmente considerando o número de publicações, prêmios Nobel, etc. então não estão interessados no número de mestres e doutores. A questão da titulação de mestres e doutores, da condição de tempo integral ou horista é relevante na avaliação da educação superior brasileira, notadamente para o Sistema Nacional da Educação Superior – SINAES, esse é um parâmetro importante para a avaliação de cursos e de instituições. Ele é imporatante na composição do indicador – CPC (conceito preliminar de curso) que mostra resultados da avaliação dos cursos no Brasil.

4) Em relação ao Enade, considera que a avaliação tem atingido o objetivo de mensurar a qualidade dos cursos e das IES brasileiras? Em caso negativo, quais as falhas principais e o que considera que deveria ser feito? Em caso positivo, há melhorias a serem feitas (quais)?

GB. Quem avalia a qualidade dos cursos e das IES brasileiras é o SINAES (Sistema de Avaliação da Educação Superior Brasileira) do qual o ENADE é apenas um dos instrumentos, junto à avaliação de instituições e cursos.

O exame ENADE avalia os alunos, ou melhor, os resultados da aprendizagem dos alunos. Isto não pode ser confundido com a qualidade de cursos e instituições, apenas é um componente. Contudo, com a criação de índices como o CPC que considera os resultados do ENADE e os supervaloriza, lamentavelmente, ele extrapola sua função. Tem que se considerar os três elementos da avaliação tal como o SINAES propõe.

Além disso, as próprias instituições devem criar uma cultura de avaliação, se auto-avaliarem e se preocupar com a qualidade. E os usuários da educação superior deveriam ser mais exigentes quanto a isso, especialmente naquelas de escassa qualidade.Finalmente, a mídia destaca excessivamente os resultados nos rankings internacionais, mas dedica pouco espaço a matérias serias sobre qualidade e sobre o Brasil, destacando casos negativos ou propondo que se copie o sistema de educação superior de X país, ignorando as diferenças entre os países.
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Este trabalho foi desenvolvimento com apoio financeiro da Fapesp (Bolsa Mídia Ciência), sob supervisão da Profa. Dra. Simone Pallone e Dra. Katlin Massirer.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Mais uma... ou melhor (ou pior) menos uma: RIP Unesp Ciência? - A reposta

Em função dos rumores do fim da revista Unesp Ciência, entrei em contato com a Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp. Abaixo seguem as respostas gentilmente enviadas por email pelo Prof. Dr. Oscar Alejandro Fabian d'Ambrosio, assessor-chefe da ACI-Reitoria da Unesp.

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A Revista Unesp Ciência não vai acabar. Pelo contrário, a publicação manterá o nome, mas será sim reformulada a partir de março. Isso significa que será um novo produto, nem pior ou melhor, categorias simplistas, mas diferente. A redução de três jornalistas da equipe dá-se no contexto do momento orçamentário e financeiro das universidades estaduais paulistas. Manter a qualidade da Revista Unesp Ciência é um compromisso, mas dentro de um novo projeto, aprimorando virtudes e tendo como meta uma maior proximidade com o público interno, sem se afastar do externo, além de uma nova página na internet e de um projeto de ação para mídias sociais, algo inexistente até o momento.

A migração progressiva do papel para online se dá no espírito de maior respeito ao meio ambiente, com a redução do corte de árvores, e do desenvolvimento de uma atuação maior nas mídias sociais. De agosto de 2014 a janeiro de 2015, essa nova política gerou, nos veículos oficiais da Reitoria, métricas com aumentos da presença da instituição da ordem de 35% no facebook; 70,4% no Instagram; e 15,4% no Twitter. 

Os profissionais responsáveis pelo novo projeto gráfico são Ricardo Miura e Andrea Cardoso, ambos da equipe anterior. Os jornalistas que passam a escrever e a fotografar para a publicação têm ampla experiência em divulgação cientifica e em universidade pública. Além disso, haverá maior participação de assessores de imprensa das diferentes unidades, da universidade, assim como de seus institutos e núcleos localizados nas 24 cidades que integram a Unesp.

As decisões editoriais (pautas, abordagens) mantêm plena autonomia, mas passarão a ter maior interação aos outros produtos da Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp, a saber Portal Unesp, Jornal Unesp, Podcast Unesp, Minuto Unesp e Mídias Sociais, todos alinhados a Política de Comunicação Social da Universidade, a ser votada em breve pelo Conselho Universitário, órgão máximo da instituição (aliás esta, creio, seria uma ótima pauta para vocês! Avalie).

Sobre a distribuição da revista para a rede pública, ela era encaminhada aos diretores das escolas de ensino médio, já que seria impossível, pela tiragem necessária atender todos os alunos de ensino médio do Estado de São Paulo. A progressiva migração do papel para o online inclui uma campanha junto aos mencionados diretores de como a revista, ao ser bem divulgada pela Unesp e por eles, na internet, tem o potencial de atingir mais leitores e com maior interação do que uma publicação impressa.

Espero ter atendido as suas indagações e fico à disposição se não fui claro em alguma reposta.
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