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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Notinhas pré-niver



*Upideite(05/dez/2014): adido a esta data.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A quem interessa o catastrofismo categórico irrevogável?

Folha 10/nov/2014 "Mas talvez agora já seja tarde demais: há fortes sinais de falência do sistema amazônico, que incui a floresta e sua influência sobre o clima continental."

Opção 5-11/out/2014 "É justamente pela força da ciência que ele dá a notícia que não queria: na prática o Cerrado já está extinto como bioma."

Não duvido que tais sentenças tenham sido dadas da mais boa fé. Mas, de um lado, a ecologia de biomas é um tema complexo demais para uma afirmação do tipo: "está extinto" ou "falência" seja dada de modo categórico. Sim, podemos falar com alta dose de certeza de que o bioma da flora de Dicroidium está extinta. Mas temos dificuldades de dizer até se  alguma espécie recente está extinta - temos um parâmetro de 50 anos sem registro no ambiente selvagem a despeito de coletas sistemáticas, mas há vários casos de organismos que foram encontrados depois de declarados extintos.

A situação de um bioma inteiro é muito mais complicada. Existem espécies-chave? Funções-chave? Que nível mínimo populacional deve ser alcançado? Que nível mínimo dos parâmetros funcionais são considerados? Qual o grau de resiliência e de redundância? O quão generalizável são os parâmetros de um ambiente para os demais? O que se estabelece para certos fragmentos é extrapolável para uma área maior? Não são elementos fáceis de se determinar - até por isso há intensos estudos de larga escala e longo curso agora na Amazônia como a capitaneada por Thomas Lovejoy.

De outro, há uma implicação econômica e ética complicada.

Uma coisa é o alerta de que um ambiente, formação vegetal, paisagem natural, ecossistema, bioma corre sérios riscos. Isso envida o *aumento* dos esforços conservacionistas. Outra é dizer que tais áreas estão condenadas.

Declarar um bioma extinto ou além da possibilidade de salvação implica que a continuidade de quaisquer esforços atuais são inúteis, salvo para mercadores da falsa esperança. Melhor aplicar os recursos em outras áreas. E, fora alguma conservação de relicto na forma de museu natural, seria melhor derrubar o que resta para aproveitar melhor o espaço.

A quem interessa, então, o discurso catastrofista categórico irrevogável em relação ao destino de um bioma? Ainda mais quando os indícios em que se baseiam tais declarações estão longe de estar além de qualquer dúvida razoável.

domingo, 9 de novembro de 2014

SaganDay 80

Oquei, sem aquela piadinha macabra de que se Carl Edward Sagan estivesse vivo hoje estaria arranhando a tampa do caixão. Hoje comemoramos o octogésimo aniversário do nascimento do grande astrônomo e divulgador científico americano.

Não sou exatamente um saganiano, mas admiro o respeito que ele inspira entre seus devotados seguidores* (que devem estar se deliciando com os arquivos disponíveis online). Sua obra de divulgação iniciou muita gente boa - um dos mais eminentes sendo Neil deGrasse Tyson (apresentador da nova versão de Cosmos) - às maravilhas e agruras da ciência e do ceticismo. Por sua postura mais aberta ao diálogo acabou despertando também a admiração de grupos que não classificaríamos (eu pelo menos não) como cético-racionalistas: houve uma briga entre a família de Sagan, administradora do legado, e grupo de ufólogos brasileiros que queriam batizar seu projeto de Instituto Carl Sagan - no fim, tiveram que mudar de nome para Instituto Galileu Galilei.

Entusiasta da ideia de que o Universo seria coalhado de vida e até de vida inteligente (sim, na época não havia caixa de comentários de portais de notícias), foi um grande apoiador do projeto SETI. Na esperança de que algum dia alguma civilização pudesse encontrar nossos vestígios, colocou uma série de instruções pictográficas na placa a bordo das sondas Pioneer 10 e 11, e também no disco folheado a ouro das Voyager 1 e 2 sobre a nossa localização. Ele tinha uma convicção não baseada em fatos de que os alienígenas compartilhariam sua visão pacifista da exploração espacial. Uma aplicação mais criteriosa do princípio da precaução recomendaria que evitássemos divulgar abertamente nosso endereço - no mínimo, corremos riscos de sermos entupidos por spams interestelares; em uma hipótese menos caridosa, talvez recebêssemos uma visita indesejada que não poderíamos expulsar com uma vassoura de ponta cabeça atrás da porta. Mas, dado que já disseminamos involuntariamente nossa presença por meio de sinais de rádio e TV, a concordância da Nasa com a iniciativa de Sagan talvez seja compreensível.

Abaixo manterei uma lista de homenagens prestadas a Carl Sagan pela blogocúndia lusofonocientífica neste ano (não encontrei ainda nenhuma postagem sobre o aniversário - se souber de alguma, por favor, indique nos comentários***):


Obs: Não se esqueça também de participar do Concurso Cultural e concorrer a um exemplar do livro "Em Busca do Infinito" de Ian Stewart.

*Upideite(09/nov/2014): Registro aqui o protesto de Danilo Albergaria quanto à sua classificação como "devotado seguidor".
**Upideite(09/nov/2014): Adido a esta data.
***Upideite(09/nov/2014): Encontrei alguns, mas se souberem de outros, por favor, indiquem.

domingo, 2 de novembro de 2014

"Experimentos Extraordinários": uma boa notícia e outra nem tanto

Nunca mencionei aqui o trabalho do jornalista Iberê Thenório e cia. no "Manual do Mundo" por alguma razão que não sei dizer qual seria. Minha desculpa é uma que, na verdade, piora ainda mais pro meu lado: tem monte de coisa legal de que eu ainda não falei no GR.

Todo mundo já sabe, mas direi mesmo assim: é um trabalho extraordinário. Menos pessoas sabem, porém é algo com que sonhei uma vez: o saudoso Prof. Leo fazendo em seu Feira de Ciências vídeos dos experimentos (como ele fazia na TV Cultura).

Foi com grande alegria e expectativa que recebi a notícia de que Iberê estrearia um programa no canal Cartoon Networks, o "Experimentos Extraordinários" - onde ele e uma equipe de adolescentes cuidariam de levar ao ar um programa homônimo ficcional diário sobre, bem, experimentos científicos.

Vi agora há pouco acompanhado de uma pessoa para ter uma opinião sob a perspectiva infantil: eu mesmo. Fiquei meio frustrado porque o programa real é sobre a produção de um programa fictício, não sobre experimentos científicos. No programa de estreia de uma hora de duração, mais de 50 minutos são sobre a contratação de Iberê por um canal de TV, seu encontro e desencontros com sua trupe de jovens ajudantes - na preparação do roteiro, do cenário, do guarda-roupa, etc. Em 5 minutos, na exibição do quadro ficcional dos experimentos, dos três preparados: sobre crescimento fototrópico do feijão, funcionamento de uma buzina e foguete de gelo seco, só a montagem do gelo seco é mostrada por inteiro - mas de modo extremamente sucinto e sem nenhuma explicação sobre seu *funcionamento*.

Como escrevi alhures, acho um tremendo desperdício utilizar Iberê em um programa unicamente dramatúrgico, sem nenhum componente maior de divulgação científica. Não acho o programa ruim, do ponto de vista do entretenimento (ainda que minhas credenciais como crítico de TV sejam as mesmas de Denise Fraga como analista educacional ou de Ruth de Aquino - sim, nunca me esquecerei - como assessora científica); e até serve como algum tipo de divulgação científica - nem tanto para explicar, para disseminar conhecimento diretamente, quanto para criar uma cultura pró-ciência, de naturalizar mais sua presença no cotidiano, despertar o interesse da petizada.

Mas Paul "Beakman" Zaloom já mostrou que ensinar ciência, ter audiência e conquistar corações são objetivos plenamente compatíveis. Não que se espere de Thenório um "Beakman's Show", por vários motivos, um deles é que já tivemos o "Beakman's Show", se fosse pra fazer uma versão ou uma cópia, bastaria reprisar os episódios; mas por que não inserir mais divulgação no meio da ficção?

Talvez um cross media storytelling do bem: ligar o sítio web do "Manual do Mundo" ao programa, onde os detalhes dos experimentos apresentados por Valentino são dados, com instruções detalhadas sobre como fazer e as explicações dos conceitos científicos por trás do fenômeno demonstrado.

Concurso Cultural

No próximo dia 27 de novembro, completam-se 6 anos desde a primeira postagem no GR.

Mantendo a tradição do blogue, vai ter, sim, um concurso cultural - e, se reclamarem, vai ter dois. Adequando-se às novas instruções do Ministério da Fazenda, o concurso cultural chamar-se-á... concurso cultural; não envolverá nenhum tipo de sorteio nem adivinhação - eles dizem que não são instruções novas, que são apenas esclarecimentos da lei vigente; pra mim parece uma interpretação por demais restritiva, porém, regulamento legal é regulamento legal e devemos obedecer.

Bem, valendo um exemplar completamente gratuito do livro "Em busca do infinito: uma história da matemática dos primeiros números à teoria do caos" de Ian Stewart (2014, Ed. Zahar, 383 pp.) para concorrer basta enviar um texto de até 1.000 caracteres em língua portuguesa com o tema: "Quais as consequências do analfabetismo científico para o Brasil?" - como o baixo conhecimento científico dos cidadãos brasileiros de modo geral influencia (positiva e/ou negativamente) a sociedade brasileira nos mais variados aspectos: social, ambiental, político, econômico, afetivo...

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Regulamento:
0. Somente concorrerão os que enviarem formulários corretamente preenchidos.
1. Parentes meus até segundo grau não valem.
2. A resposta deve ser enviada até às 23h59 (hora de Brasília) do dia 27/11/2012. (Vale o "timestamp" do sistema.)
3. Os critérios para a escolha do texto vencedor serão completamente subjetivos.
4. O prêmio será enviado gratuitamente, mas somente para um endereço coberto pelos Correios brasileiros em porte nacional.
5. O vencedor ou a vencedora será contatado/a por email e terá uma semana para responder. Findo o prazo, o prêmio estará prescrito e o segundo colocado será contatado. (E assim por diante.)
6. Pode-se responder ao formulário quantas vezes quiser, mas o participante estará concorrendo apenas com o último enviado.
7. Este concurso segue a lei federal 5.768/1971 e legislação correlata.
8. A participação no concurso implica em concordância total com os termos deste regulamento.
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